• Sandra Carvalho

Pangolins, o elo perdido do novo coronavírus?

O pangolim pode ser a ponte entre os morcegos e os homens para transmissão da Covid-19.


Pangolim filipino e seu filhote | Foto: cc Shukran888/Wikimedia Commons

Um mamífero incomum, noturno e cheio de escamas, pode ser o elo perdido na passagem do novo coronavírus dos morcegos para os humanos.


É isso que sugerem cientistas da Universidade de Michigan (UMich) num estudo publicado essa semana no Journal of Proteome Research.


O pangolim vive na Ásia e na África, se alimentando de formigas e cupins. É bastante ameaçado pela caça ilegal, pela carne, considerada uma iguaria na China, e por ser um ingrediente da Medicina tradicional chinesa.


Os pangolins eram vendidos vivos rotineiramente no mercado de peixes da cidade chinesa de Wuhan, junto com outros animais selvagens. Wuhan, como se sabe, foi o primeiro epicentro da pandemia de coronavírus.


Os primeiros casos notados por médicos da cidade estavam ligados ao mercado de peixes, que os cientistas consideram o ponto inicial da pandemia ou um amplificador da doença. Com as infecções, o mercado foi fechado e o governo chinês baniu o consumo e o comércio de animais selvagens.


Elo perdido


A maioria dos especialistas concorda que o morcego é o reservatório natural do novo coronavírus, o SARS-Cov-2. Mas para o vírus passar do morcego para os humanos é necessário um hospedeiro intermediário: o elo perdido.


Os pesquisadores de Medicina Computacional e Bioinformática da Universidade de Michigan argumentam que esse elo perdido não poderia ser a cobra, como se supôs recentemente, porque o coronavírus contagia apenas mamíferos e pássaros.


Com base em análise do genoma do novo coronavírus, eles indicam o pangolim como o hospedeiro intermediário mais provável. Os cientistas identificaram sequências de proteínas nos pulmões de pangolins doentes que são 91% idênticas às do vírus que ataca os humanos.


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