• Sandra Carvalho

Pele de tilápia ajuda a reconstituir dedos de crianças

A pele é usada para corrigir fusão de dedos em uma síndrome rara, a Apert.


Pele de tilápia
Equipe da Universidade Federal do Ceará prepara a pele para uso | Foto: Viktor Braga/UFC

Crianças com uma síndrome genética rara, conhecida como síndrome de Apert, nascem com anomalias no crânio e na face e os dedos das mãos fundidos. Para separar e reconstituir os dedos, um biomaterial está sendo uma mão na roda: pele de tilápia.


As primeiras operações com uso da pele do peixe foram feitas em setembro deste ano, e os resultados têm sido encorajantes. A pele de tilápia preserva melhor os tecidos enxertados que as técnicas convencionais, diminuindo as perdas de enxertos.


A pele do peixe também melhora a aderência do enxerto nos dedos das crianças. O número de curativos caiu pela metade.


A preparação da pele de tilápia fica a cargo do Banco de Peles da Universidade Federal do Ceará (#UFC), e as cirurgias estão sendo feitas no Hospital Sobrapar – Crânio e Face, de Campinas, interior de São Paulo.


A pele de tilápia já vem sendo usada há tempos para tratamento de queimaduras e ferimentos com eficácia, como curativo. No caso da síndrome de Apert, também prepara a pele dos dedos das crianças para receber os enxertos.


A separação cirúrgica dos dedos deixa uma região sem pele. Antes do uso da tilápia, o enxerto para cobrir essa região era feito com pele do abdômen da criança.


Com a pele do peixe, tornou-se possível enxertar peles mais simples, como a do antebraço, evitando complicações.


Quem coordena as pesquisas do uso medicinal da pele do peixe é o cirurgião plástico Edmar Maciel, presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), de Fortaleza, junto com a UFC.

“Em feridas profundas, o colágeno da pele da tilápia é absorvido e integrado no leito da ferida. Esse colágeno cria uma matriz dérmica para receber o enxerto com a pele do próprio paciente, algo que acontece 10 dias após a aplicação do tecido do peixe”, explicou Maciel à Pesquisa Fapesp.


Para ser usada nas cirurgias, a pele do peixe é liofilizada para ser mantida à temperatura ambiente, esterilizada, embalada a vácuo e irradiada com raios gama, para ficar livre de qualquer tipo de microorganismo.


Tudo é feito pelo Banco de Peles da UFC, com exceção da irradiação, que cabe ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (#Ipen), de São Paulo. Antes do uso, basta colocar a pele por 10 minutos em soro fisiológico e pronto.


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