• Sandra Carvalho

Peter Mansfield, inventor da ressonância magnética (1933-2017)

Mansfield foi o primeiro ser humano a ser escaneado de corpo inteiro.


Mansfield: ele foi a sua própria cobaia | Foto: Universidade de Nottingham

Peter Mansfield, físico inglês que criou as imagens por ressonância magnética (MRI, na sigla em inglês, morreu no dia 8 de fevereiro, aos 83 anos de idade.


O exame de ressonância magnética é um dos grandes avanços da medicina diagnóstica das últimas décadas.


Usando campos magnéticos e ondas de rádio, permite avaliar detalhadamente em 3D os ossos e os órgãos internos sem a necessidade de cirurgias exploratórias. Mais: sem os efeitos colaterais dos raios X.


Mansfield criou a ressonância magnética na Universidade de Nottingham. (Lembrou de Robin Hood? Está certo, é na região que a lenda se passa.)


Por sua invenção, Mansfield ganhou o prêmio Nobel de Medicina em 1983, junto com o professor Paul Lauterbur, da Universidade de Illinois. Os dois trabalhavam com ressonância magnética, mas em estudos paralelos.


Mansfield também ganhou da rainha do Reino Unido o título de cavaleiro - morreu Sir Peter Mansfield.


Ele construiu o protótipo do aparelho de ressonância magnética em 1978, e foi o primeiro humano a ser escaneado de corpo inteiro pela máquina.


Na época, se temia que o campo magnético pudesse causar fibrilações no coração, segundo narra o New York Times.


Ele ficou 50 minutos no aparelho, assando de calor, e saiu de lá "um trapo molhado", como ele próprio definiu em sua autobiografia, O Longo Caminho para Estocolmo: a História da Ressonância Magnética.


Veja como era um aparelho de ressonância antes, com a equipe pioneira liderada por Mansfield:


Mansfield e equipe nos tempos pioneiros | Foto: Universidade de Nottingham
Mansfield com um aparelho moderno de ressonância Foto: Universidade de Nottingham

Nascido em Londres, Mansfield não foi um sucesso imediato na escola. Chegou a ser reprovado no exame ao fim da escola primária. Aos 15 anos, largou os estudos, voltando mais tarde.


Ele chegou a ser aconselhado a seguir uma carreira menos ambiciosa que a ciência, e se empregou como aprendiz de gráfico.


Mas seu conformismo durou pouco. Conseguiu um emprego no governo para trabalhar com foguetes, e em seguida mudou o interesse para ressonância magnética.


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