• Sandra Carvalho

Pó de casa pode engordar (não é uma tese maluca)

Poluentes químicos se acumulam no pó e mexem com o metabolismo das pessoas.


Ar poluído: perigo para o sistema endócrino | Foto: cc0 Pixabay

Infelizmente, não é mesmo uma tese maluca. Produtos químicos que mexem com o sistema endócrino das pessoas se acumulam no pó comum das casas e podem ter um papel no seu ganho de peso.


Pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, fizeram testes desses disruptores do metabolismo em células de rato e constataram um acúmulo de triglicérides e células de gordura.


O estudo foi publicado ontem, 12 de julho, no jornal Environmental Science & Technology.

Os cientistas coletaram pó de 11 casas da Carolina do Norte. Sete dessas 11 amostras aceleraram o desenvolvimento de células de gordura e o acúmulo de triglicérides.


Extratos de nove amostras estimularam as células a se dividirem, aumentando o número de células precursoras de gordura. Só uma amostra não causou efeito algum.


Os componentes químicos que mais criaram gordura entre os 44 poluentes testados foram a piraclostrobina, um pesticida, o retardante de chamas TBPDP e o plastificante dibutilftalato (DBP).


Os efeitos puderam ser sentidos até em amostras de pó reduzidas, de 3 microgramas.


Como lembrou a Sociedade Americana de Química em um comunicado, já se sabe há um certo tempo que os disruptores endócrinos podem afetar funções reprodutivas, neurológicas e imunológicas.


Mais: estudos com animais sugerem que uma exposição cedo na vida a certos disruptores podem levar a ganho de peso no futuro.


Por todos esses problemas, várias indústrias diminuíram o uso desses componentes químicos. Mas muitos continuam presentes em produtos de amplo consumo.


Acabam no pó das casas, que pode ser inalado, ingerido ou absorvido através da pele. Segundo a EPA, a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, uma criança consome 50 miligramas de pó de casa por dia.


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