• Sandra Carvalho

Por alguns cachorros são mais afetuosos que outros?

Os cães com genes mais sensíveis ao hormônio oxitocina esbanjam afeição.


Cachorro amoroso: o hormônio oxitocina em ação   | Foto: cc0 Mia Persson

Um abismo separa o comportamento dos lobos selvagens dos cachorros amorosos de hoje. O que fez os cachorros tão diferentes de seus ancestrais? A disposição de colaborar com os humanos, ditada por genes sensíveis ao hormônio oxitocina.


Pelo menos essa é a tese de cientistas suecos da Universidade de Linköpin (LiU). Seu estudo sobre o relacionamento dos cachorros com seus donos foi publicado no jornal Hormones and Behavior de setembro.


Segundo a pesquisa, durante o processo de domesticação que transformou lobos nos animais domésticos de hoje, os cachorros desenvolveram uma habilidade única de colaborar com humanos, às vezes para conseguir coisas que eles acham difíceis de resolver sozinhos.


Os cientistas suecos trabalharam com 60 golden retrievers, fazendo vários testes com oxitocina. A oxitocina é um hormônio produzido no cérebro, responsável, entre outras coisas, pelas interações sociais e criação de empatia.


Seus efeitos dependem dos receptores nas células. Esses receptores são impactados por variações genéticas dos indivíduos.


No estudo sueco, os testes com os cachorros mostraram que uma parte deles tinha uma variação genética mais sensível ao hormônio oxitocina do que outras variações de genes.


Quando os cachorros estavam diante de um petisco guardado num lugar impossível de abrir, os mais sensíveis à oxitocina, por causa dessa variação genética, tendiam a se aproximar dos donos, buscando ajuda.


"Os resultados nos levam a concluir que as pessoas selecionaram para domesticação lobos com uma habilidade particularmente bem desenvolvida de colaborar" diz Mia Persson, a principal autora do estudo, num comunicado da LiU.


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