• Sandra Carvalho

Por que o bocejo é tão contagioso? A ciência explica

O bocejo contagioso não é exclusivo de humanos - é notado em cachorros e chimpanzés.


Bocejo: ativado por reflexos primitivos   | Foto: cc  Juanedc/Wikimedia Commons

Há anos os cientistas estão intrigados com o poder contagioso do bocejo. Se alguém boceja ao lado, é difícil resistir ao ímpeto de bocejar também. Pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, acham que têm a explicação para isso.


Segundo a tese deles, a propensão humana para o bocejo contagioso é ativada automaticamente por reflexos primitivos no córtex motor primário, a área do cérebro responsável pelas funções motoras.


O estudo foi publicado ontem no jornal Current Biology e relatado em comunicado da Universidade de Nottingham.


A pesquisa sugere que nossa habilidade para resistir aos bocejos é limitada. A vontade de bocejar só aumenta, aliás, se recebemos instruções para evitar os bocejos.


Estudos anteriores atribuíam o poder contagioso do bocejo ao sistema de neurônios espelho do cérebro, que tem um papel chave em empatia e sincronização de comportamento social em grupo.


Mas imagens de ressonância magnética (MRI, na sigla em inglês) mostraram que regiões importantes desse sistema não são ativadas durante bocejos contagiosos.


Filmando o bocejo


Para testar sua tese de que o bocejo contagioso é ativado automaticamente no córtex motor primário, os cientistas fizeram testes em 36 pessoas adultas.


Nos testes, essas pessoas olharam vídeos de pessoas bocejando e receberam instruções de resistir aos bocejos ou se entregarem a eles, sendo filmadas o tempo tempo.


Os cientistas usaram estimulação transcraniana magnética (TMS, na sigla em inglês) não invasiva para quantificar a excitabilidade do córtex motor e a inibição fisiológica dos bocejos.


Segundo eles, é essa excitabilidade do córtex motor, mais a inibição fisiológica, que determinam a propensão para os bocejos.


O bocejo contagioso não é uma marca exclusiva dos homens - é notado também nos cachorros e chimpanzés. Ele faz parte dos ecofenômenos, as imitações automáticas, conhecidas como echophenomena.


O interesse dos cientistas no assunto se explica porque entender melhor os ecofenômenos e a excitabilidade do córtex motor ajuda a tratar melhor várias doenças, da epilepsia ao autismo.


"Na síndrome de Tourette, se pudermos reduzir a excitabilidade poderemos reduzir os tiques", exemplificou Georgina Jackson, professora de Neuropsicologia Cognitiva, uma das autoras do estudo do bocejo.


"Se entendemos como alterações na excitabilidade do córtex motor dão origem a desordens neurológicas potencialmente podemos revertê-las" observou Stephen Jackson, outro dos autores.


"Estamos buscando tratamentos personalizados, sem drogas, usando TMS para modular os desequilíbrios das redes cerebrais", complementou.


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