• Sandra Carvalho

Por que vivemos mais que nossos primos chimpanzés?

Nosso relógio de envelhecimento é mais lento que o deles, sugerem cientistas americanos.


Chimpanzés: mesmos marcadores de envelhecimento dos humanos | Foto: cc0 Satya Deep/Unsplash

Os chimpanzés são nossos parentes mais próximos entre os primatas - compartilhamos com eles quase 99% do nosso código genético. No entanto, dificilmente eles passam dos 50 anos de idade, e nós chegamos cada vez mais facilmente aos 80, 90 e até 100. Por quê?


Não é só devido aos avanços da medicina e das melhores condições de vida nos últimos séculos.


Um novo estudo das universidades americanas Duke e George Washington (GW) sugere que nos tornamos os primatas mais longevos por causa de mudanças químicas dentro de nossas células.


São mudanças que desaceleraram o ritmo do nosso envelhecimento, e que ocorreram depois que nossos antepassados se diferenciaram dos chimpanzés, 7 ou 8 milhões de anos atrás.


Na última década se descobriu que marcas químicas no genoma humano, que afetam a atividade dos genes sem alterar a sequência de DNA, mudam conforme nós envelhecemos.


Alguns lugares ao longo do nosso DNA ganham ou perdem marcadores químicos chamados grupos metil. Essas mudanças são tão consistentes que elas podem ser usadas como um relógio de envelhecimento. Com base nelas, é possível saber a idade de uma pessoa com margem de erro inferior a quatro anos.


Os pesquisadores da Duke e da GW analisaram pela primeira vez essas mudanças nos chimpanzés, examinando 850 mil desses lugares no sangue de 83 chimpanzés de 1 a 59 anos.


Eles encontraram nos chimpanzés os mesmos marcadores de envelhecimento já conhecidos nos humanos. Mais de 65 mil lugares de DNA analisados mudaram como um relógio ao longo da vida, ganhando ou perdendo marcadores.


De acordo com os cientistas, o padrão de mudança se mostrou confiável a ponto de se tornar possível prever a idade dos chimpanzés com margem de erro de apenas 2,5 anos - um método mais preciso do que estimar a idade de animais selvagens com base no desgaste de seus molares.


O estudo foi publicado no jornal Philosophical Transactions of the Royal Society B.


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