• Sandra Carvalho

Por que zika deixa uns bebês com anomalias e outros não?

A resposta pode estar em fatores genéticos da placenta, dizem cientistas da USP.


Bebê com microcefalia: a síndrome atinge de 5% e 10% dos bebês das grávidas infectadas | Foto: cc Sumaia Villela/Agência Brasil

Aproximadamente 3,5 mil bebês nasceram no Brasil nos últimos 5 anos com a síndrome congênita do zika - microcefalia, problemas de audição e de visão, calcificações no cérebro -pelos dados do Ministério da Saúde.


Esses bebês são apenas uma parte dos bebês das mulheres que tiveram zika durante a gravidez no país. Estima-se que sejam entre 5% e 10% do total. Por que eles se tornaram vítimas da síndrome, e os outros não?


Segundo pesquisadores da USP, fatores genéticos diminuíram a capacidade da placenta de suas mães de protegê-los no útero. O estudo foi publicado no jornal PLOS Neglected Tropical Diseases.


Os cientistas fizeram um estudo com três pares de gêmeos em que um irmão tinha microcefia e o outro não.


Observaram que havia menos genes que ajudam a placenta a se fixar no útero e a nutrir direito o feto nas células trofoblastos (da placenta primitiva) dos bebês que nasceram com microcefalia.


Eles observaram também que não houve, nesses bebês, um aumento significativo de moléculas quiomicinas, que ajudam a combater o vírus na barreira placentária, como houve no caso dos irmãos saudáveis.


A pesquisa foi coordenada por Sergio Verjovski, professor do Instituto de Química da USP, e teve a participação da professora Mayana Katz, do Instituto de Biociências da universidade. Um resumo detalhado da pesquisa foi publicado pela agência Fapesp.


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