• Sandra Carvalho

Porcos vivem mais felizes com restos de sochu?

Essa tese é defendida por cientistas da Universidade de Tóquio.


Porcos: sochu na dieta | Foto: cc0 Pexels

O sochu, como muitos sabem, é uma bebida destilada japonesa, mais fraca que uísque, mas mais forte que saquê. Tem muitos fãs ao redor do mundo. Agora cientistas japoneses dizem que o sochu pode agradar também aos porcos.


Como assim? Eles afirmam que os restos da fabricação do sochu feito de cevada fermentada, dados aos porcos, melhoram a saúde e reduzem o estresse dos animais, permitindo que vivam mais felizes.


De quebra, porcos alimentados com os restos do sochu teriam uma carne de melhor sabor. Essa alimentação ainda teria o mérito de reduzir os detritos industriais da fabricação da bebida.


A pesquisa é uma parceria dos cientistas da Universidade de Tóquio com os fabricantes da bebida, especialmente os do grupo Kirin. Não é, portanto, uma pesquisa desinteressada.


Foi feita na região de Kyushu do Japão, onde abundam tanto fazendas de porcos quanto indústrias de sochu. O estudo foi publicado no jornal Food Chemistry.


Ao contrário do saquê, sempre feito com arroz e com o teor alcóolico em torno de 15%, o sochu pode ser feito de cevada, batata, arroz e outros amidos. Seu teor alcóolico normalmente passa de 25%.


Os pesquisadores alimentaram seis porcos com os restos industriais da fabricação do sochu à base de cevada dos 3 aos 6 meses, idade em que os animais vão normalmente para o abate.


Os porcos ficaram com mais anticorpos laA (imunoglobulina A) na saliva do que animais submetidos à dieta padrão. Com base nisso, os pesquisadores concluíram que os porcos ficaram mais saudáveis.


O estudo também mensurou os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, na saliva dos animais. Os níveis de cortisol também se mostraram mais baixos.


Os pesquisadores suspeitaram então que porcos mais saudáveis e menos estressados teriam uma carne de melhor qualidade, e fizeram um teste cego com especialistas da Kirin.


Segundo esses especialistas, o lombo e os filés dos porcos alimentados com os restos de sochu eram mais macios, mais suculentos e mais saborosos que os comuns. Mais: tinham melhor umâmi ( um dos gostos do paladar, como o doce, salgado, azedo e amargo).


Os cientistas atribuíram a qualidade superior do sabor dos porcos alimentados com os restos de sochu a prováveis diferenças químicas na carne. Nos testes, a carne desses animais derreteu em temperaturas mais baixas. Além disso, tinha mais ácido oleico, um ácido ômega 9.


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