• Sandra Carvalho

O que diferencia nosso cérebro dos neandertais?

Cientistas recriaram "minicérebros" neandertais em laboratório para fazer a comparação.


Cérebro de neandertal no Neues Museum de Berlim | Foto: cc Gary Todd/Wikimedia Commons

Os primos mais próximos dos seres humanos modernos são os neandertais e os denisovanos. Mas até agora não sabemos exatamente como o nosso cérebro difere do deles.


Um cientista da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) resolveu tirar isso a limpo. Alysson Muotri, professor de Pediatria e Medicina Celular e Molecular, reuniu uma equipe de pesquisadores para fazer essa comparação.


Usando células-tronco, ele construiu organoides cerebrais, "minicérebros", em placas de laboratório, recriando os cérebros dos nossos parentes perdidos no tempo.


Muotri já tinha usado esses "minicérebros" para comparar cérebros humanos com os de outros primatas como chimpanzés e bonobos, mas não tinha feito experiências com espécies extintas.


Os neandertais e os denisovanos viveram entre 2,6 milhões a 11.700 anos atrás, durante o Pleistoceno.


De início, os pesquisadores encontraram 61 genes divergentes entre os humanos modernos e os extintos. Um gene em especial chamou mais a atenção - o NOVA1. Ele é um regulador mestre, que influencia muitos outros genes.


Usando a técnica de edição de genes CRISPR, os cientistas criaram células-tronco humanas modernas com uma mutação semelhante à dos neandertais em NOVA1. Chegaram assim aos organoides cerebrais neandertais.


Os organoides não são exatamente cérebros, mas agrupamentos de células cerebrais formados por células-tronco, conforme esclarecem os pesquisadores. Ao contrário dos cérebros de verdade, não têm conexões com outros sistemas do corpo, como os vasos sanguíneos.


Comparando os organoides neandertais e os humanos modernos, os cientistas notaram muitas diferenças. As formas diferiam, a proliferação das células também, idem as sinapses e as redes neurais. A atividade dos impulsos elétricos também se diferenciava.


“Este estudo se concentrou em apenas um gene que diferia entre os humanos modernos e nossos parentes extintos", notou Muotri. "Em seguida, queremos dar uma olhada nos outros 60 genes, e o que acontece quando cada um, ou uma combinação de dois ou mais, são alterados. ”


A pesquisa foi publicada na Science.


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