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Qual é o problema com as capivaras de São Paulo?

Bem adaptadas à poluição das cidades, elas transmitem febre maculosa, que pode até matar.


Capivaras em São Paulo
Capivaras em São Paulo: coesas, facilitam a transmissão do carrapato que transmite a febre maculosa | Foto: Eduardo César/Pesquisa Fapesp

Com alta resistência a poluentes e a doenças, a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), um animal silvestre, adaptou-se a locais improváveis, como o poluído rio Pinheiros, na capital paulista, e vive bem até em uma estação de coleta de esgoto na cidade de Americana, interior do estado.


Ao se instalarem em espaços diferentes de seus ambientes naturais, elas adquirem novos hábitos, de acordo com um estudo publicado em janeiro na revista Journal of Mammalogy.


Principal autora desse trabalho, a bióloga Beatriz Lopes, que faz mestrado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) com apoio da Fapesp, verificou que capivaras de seis municípios paulistas, incluindo a capital, vivem em áreas duas vezes menor que as capivaras pantaneiras, que ela também examinou.


São mais ativas antes do nascer do sol, entre 4 e 5 horas da manhã, e depois do pôr do sol, até cerca de 9 horas da noite, com maior risco de sofrerem ou causarem acidentes quando cruzam ruas ou estradas.


Diferentemente delas, as pantaneiras costumam se movimentar mais em horários próximos ao do nascer e pôr do sol, quando o dia está claro.


As capivaras urbanas vivem em grupos mais coesos, que favorecem a circulação do carrapato-estrela, ou micuim, transmissor da bactéria da febre maculosa para outros animais — e para o ser humano.


Por essa razão, recomenda a pesquisadora, deve-se restringir o acesso às áreas ocupadas por capivaras ou pôr placas de alerta sobre o risco de transmissão. “O diagnóstico precoce da febre maculosa é fundamental para o tratamento.”


“Existem dois antibióticos eficazes contra a doença, mas eles são pouco usados e não estão disponíveis em todos os hospitais. Algumas pessoas morrem porque o problema demora a ser identificado, impedindo o tratamento precoce com o antibiótico”, alerta o veterinário Marcelo Labruna, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ-USP), pesquisador responsável pelo projeto apoiado pela Fapesp sobre as capivaras e suas relações com a febre maculosa.


☛ Esse texto, de Gilberto Stam, foi originalmente publicado pela Pesquisa Fapesp de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.


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