O que é mesmo gametogênese in vitro? Dica: bebês sob medida

A gametogênese cria espermatozoides e óvulos a partir de células de pele.


Bebês: as possibilidades de reprodução estão se ampliando muito | Foto: cc0 Souljourney/Pixabay

O primeiro bebê de proveta do mundo, a inglesa Louise Joy Brown, já tem mais de 40 anos. Tempo suficiente para a fertilização in vitro (FIV) se tornar absolutamente banal. Quem se choca hoje com embriões criados em laboratório, fora do corpo humano?


Agora é a vez da gametogênese in vitro (GIV) mudar as regras da reprodução humana. Trata-se da técnica de gerar espermatozoides e óvulos em laboratório partir de certas células.


Pode-se usar células de pele, as mais fáceis de recolher, ou outras, como as de sangue, para transformá-las em células-tronco embrionárias, a fim de gerar óvulos e espermatozoides.


Com a gametogênese in vitro, já é possível dar vida a ratos a partir de células da pele dos animais, como revelou o jornal Nature em outubro de 2016.


Na experiência narrada pela Nature, cientistas japoneses da Universidade de Kyushu (Kyudai), liderados por Orie Hikabe e Katsuhiko Hayashi, exibiram ninhadas de ratos que nasceram de embriões gerados por gametogênese in vitro.


Os embriões foram implantados no útero de ratas e resultaram em filhotes de aparência saudável. Tiveram inclusive suas próprias ninhadas.


Hikabe e Hayashi partiram de bases estabelecidas por outro cientista japonês, Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto (KyotoU), que mostrou ser possível transformar células de pele em células-tronco embrionárias. O feito valeu um Nobel a Yamanaka.


Bebês em grande escala


As possibilidades abertas pela gametogênese in vitro são quase infinitas, e podem mudar completamente a reprodução humana. Para começo de conversa, é o fim da dependência dos óvulos de uma mulher e espermatozoides de um homem para gerar um embrião.


A autoclonagem se tornaria virtualmente possível, com um bebê nascido de óvulo e espermatozoide da mesma pessoa. Pais multliplex também passariam a ser viáveis. Ou um bebê gerado pelo óvulo de um homem e o esperma de outro.


Também poderia acontecer de alguém ser tornar pai ou mãe involuntário, a partir de células de sua pele coletadas sem sua autorização.


Em princípio, se poderia produzir embriões em grande escala, como nos livros de ficção científica.


Numa linha mais prosaica, a gametogênese poderia ajudar a resolver problemas básicos de infertilidade, como o de mulheres com dificuldades com óvulos, como é comum acontecer depois de tratamentos de câncer.


Em vez de fazer tratamentos médicos ou usar óvulos de outra mulher, elas teriam a opção de encomendar óvulos produzidos a partir de sua própria pele.


As possibilidades são tantas - inclusive, obviamente, de uso maléfico da gametogênese in vitro - que os cientistas estão debatendo muito o assunto.


Segundo o New York Times, alguns cientistas já estão falando inclusive num "cenário Brad Pitt", que seria o de alguém coletar a pele de celebridades de camas ou banheiras de hotéis para criar bebês.


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