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Que tal proteger céus escuros e tranquilos?

A presença massiva de satélites poderá ter efeitos nocivos nos próximos anos.


Céu estrelado
Céu estrelado no Observatório Paranal, no Chile: os satélites vão fazer parte da paisagem | Foto: P. Horálek/ESO

O céu noturno oferece uma rica tapeçaria de estrelas a seus observadores. No entanto, ao longo das últimas décadas, a sua qualidade diminuiu como resultado da crescente poluição luminosa terrestre.


Uma nova ameaça está surgindo agora: o grande número de satélites sendo introduzidos em órbitas terrestres baixas.


Durante a próxima década poderemos ter até 100.000 satélites deste tipo em órbita.


Apesar de importantes para as redes globais de comunicações, estes satélites poderão prejudicar a astronomia devido ao seu enorme número, ao seu brilho no céu e às suas emissões de rádio onipresentes.


Em particular, poderão afetar medições que necessitem de observações ao crepúsculo, tais como buscas de asteroides potencialmente perigosos para a Terra.

A partir da década de 2030 mais de 5.000 satélites poderão potencialmente ser detectáveis acima da latitude média de um observatório típico a qualquer momento, o que será visível em todas as imagens abertas obtidas ao crepúsculo, exceto aquelas capturadas pelos telescópios ópticos menores.


As enormes constelações de satélites também colocam diversos desafios à rádioastronomia.


A grande quantidade de novos satélites resultará em milhares de transmissores de rádio adicionais, afectando as medições feitas pelos radiotelescópios altamente sensíveis.


Existe uma necessidade clara de uma melhor coordenação global e de políticas e leis para proteger os céus escuros, e também os céus rádio-silenciosos.


Para tanto, um grupo internacional, do qual o Observatório Europeu do Sul (#ESO) faz parte, submeteu um documento ao Comitê de Usos Pacíficos do Espaço Sideral (COPUOS, acrônimo em inglês de Committee on Peaceful Uses of Outer Space) da #ONU, com propostas de proteção dos céus escuros.✔︎


Este texto foi publicado originalmente pelo #ESO. Leia a versão integral aqui.


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