• Sandra Carvalho

Quem aprova antes a CoronaVac: China, Brasil ou Indonésia?

A vacina está sendo examinada agora pelas agências reguladoras.


Teste da CoronaVac
CoronaVac em teste no Brasil: agora um passo adiante | Foto: cc Governo do Estado de São Paulo

A Anvisa recebeu hoje o pedido para uso emergencial da vacina CoronaVac no Brasil, e tem 10 dias para dar seu OK.


Na Indonésia, o prazo é mais curto: a campanha de imunização em massa com a CoronaVac está marcada para dia 14, com o presidente já escalado para vacinação no dia 13.


E na China, bem, na China é mais complicado dizer. O jornal estatal Global Times, um porta-voz oficioso do governo, atribuiu a uma fonte não identificada a informação de que a vacina já foi submetida à revisão da agência reguladora de remédios, a NMPA.


Qual país dará o primeiro sinal verde à CoronaVac?


Desenvolvida por uma empresa privada de Pequim, a Sinovac Biotech, a CoronaVac chega perto de uma aprovação com dados ainda pouco conhecidos publicamente.


O teste mais completo foi feito no Brasil, sob direção do Instituto Butantan, com cerca de 12.400 profissionais de saúde. O Butantan divulgou que a eficácia da vacina em casos leves que precisam de alguma intervenção médica é de 78% e de 100% em casos graves, hospitalizações e mortes.


Como a taxa de eficácia geral não foi informada, jornalistas e cientistas fizeram as contas, baseados em números totais de casos sintomáticos de Covid-19 em vacinados e placebos citados por alto pelo diretor do Butantan, Dimas Covas.


Segundo a revista Science, a taxa é de 63%. Para as cientistas Natalia Pasternak e Denise Garrett, também. Essas taxas incluem os casos leves de Covid-19 que não precisam de intervenção médica, que foram deixados de fora pelo Butantan.


Se os dados da CoronaVac estiverem completos na documentação fornecida à Anvisa, a agência não terá como escapar da aprovação em 10 dias, por melhor ou pior que seja sua boa-vontade com o Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Dória, os patrocinadores da CoronaVac por aqui. É a lei.


Se estiverem faltando dados, a Anvisa já avisou que vai pausar o prazo de 10 dias para aguardar o envio do material que considerar necessário.


Como nenhuma outra agência reguladora aprovou a CoronaVac para uso emergencial na população em geral até o momento, não dará para a Anvisa validar nada por tabela - como é possível fazer com as vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna, já chanceladas por órgãos dos países mais poderosos e exigentes do mundo.


A expectativa do Ministério da Saúde (#MS) é começar a imunização no Brasil no dia 20, cinco dias antes da data marcada por Dória para o início da vacinação no Estado de São Paulo. Quanto mais cedo a CoronaVac receber sinal verde, melhor, e há pressões de todo lado para que o país saia da estaca zero em vacinação.


Na Indonésia, a agência reguladora de medicamentos, BPOM, está sob uma pressão igual ou maior do que a Anvisa.


Ao contrário do Brasil, onde o presidente mal disfarça o ceticismo em relação à vacina, o presidente indonésio Joko Widodo se prontificou a ser imunizado com a CoronaVac no próximo dia 13, um dia antes do lançamento da campanha nacional.


Mais: está botando calor em cima do ministério da Saúde para chegar a 181 milhões habitantes vacinados em um ano no máximo e alcançar a imunidade de rebanho, três meses antes do planejamento oficial de seu próprio governo.


Até ontem, havia dois únicos impedimentos para o lançamento da campanha de vacinação no país: a falta da aprovação da BPOM e de uma declaração que a CoronaVac é halal (a Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo).


Mas o mais alto conselho muçulmano indonésio declarou hoje que a vacina é halal e está liberada para todos, de forma agora tudo está nas mãos da BPOM.


A agência está examinando os dados dos testes da CoronaVac em conclusão no país, que são muito pequenos (1620 pessoas), no Brasil e na Turquia.


Resultados preliminares dos testes turcos com um grupo pequeno de participantes (menos de 1.300 pessoas) indicaram uma taxa de eficácia de 91,25%%, um percentual altíssimo para uma vacina inativada. Os motivos da discrepância ainda não foram esclarecidos pela Sinovac, Brasil ou Turquia.


Na China, a CoronaVac já foi aplicada a milhares pessoas, sem apresentar qualquer problema sério de segurança. A vacina vem sido administrada a grupos de profissionais essenciais expostos a situações de maior risco, e agora deve ser usada também na primeira campanha de vacinação em massa do país, que começou em 1º de janeiro.


Com objetivo de alcançar 50 milhões de pessoas até o Novo Ano Lunar, em fevereiro, a campanha até agora está sendo abastecida pela vacina da estatal farmacêutica Sinopharm, desenvolvida pelo seu braço de biotecnologia CNBG com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Por enquanto, essa é a única vacina autorizada pelas autoridades chinesas para uso em imunização massiva.


Assim que aprovada pela NMPA, a CoronaVac deve ser oficialmente incorporada à campanha dos 50 milhões. A conferir quando o OK sai - não há qualquer previsão oficial disso. ✔︎


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