• Sandra Carvalho

Quem são, afinal, os antifas, e o que eles querem?

Nas ruas, eles são os militantes mais decididos (e esquentados) contra a extrema direita.


Bandeira antifa alemã em Colônia: preta e vermelha | Foto: cc Spaztacular/Wikimedia Commons

Cada antifa é contra o fascismo contemporâneo à sua maneira. Antifas não seguem líderes nem adotam partidos políticos - formam um movimento fluido, descentralizado, caótico, que se espalha por boa parte do mundo, com suas roupas pretas e rostos cobertos.


Geralmente anticapitalistas, os antifas podem ser anarquistas, comunistas, socialistas ou nada disso - apenas pessoas visceralmente avessas ao fascismo do século 21, seja qual for a forma adotada.


Antifas azucrinam nas ruas governos autoritários, como o de Viktor Orbán, na Hungria, ou Jair Bolsonaro, no Brasil, e expõem racistas, homofóbicos, sexistas e islamofóbicos publicamente.


Doxing é uma de suas armas favoritas. A ideia é aumentar o custo social de ser um fanático e impedir a normalização de pontos de vista opressivos.


Absolutamente descrentes dos políticos e da polícia, os antifas optam pela ação direta, sem intermediários, para barrar o que consideram fascismo - no braço, se preciso.


Os antifas não se confundem com os antifascistas contemporâneos pacifistas, que nos protestos evitam a qualquer custo a violência nas ruas. Ao contrário: antifas são os militantes mais dispostos a bater de frente com os ativistas da extrema direita, acenando com autodefesa.


Para eles, os fascistas e os nazistas históricos não teriam chegado ao poder se tivessem sido barrados com o mesmo ímpeto com que desmantelavam os regimes democráticos na Itália e na Alemanha.


Agora, ao verem os avanços da extrema direita - dos Estados Unidos à Itália, das Filipinas à Áustria - eles não querem repetir o que consideram um erro catastrófico.


Coringão Antifa em 2019: de bandeira em punho | Foto: reprodução do Facebook do Coringão Antifa

Um exemplo clássico de forma de ação dos antifas é a chamada Batalha de Cable Street de Londres, em 1936. A União dos Fascistas Britânicos iria fazer uma marcha com cerca de 2 mil ativistas na zona leste da cidade, mas entre 15 e 20 mil antifascistas se reuniram na rua e impediram.


Para os antifas, a liberdade de expressão não deve se estender a fascistas e neonazistas. "Você tem de cortar o mal pela raiz", definiu Mark Bray, que escreveu o livro Antifa - O Manual Antifascista. "Antifascismo, no dia a dia, é não ter tolerância com a intolerância", sintetizou.


Há quem chame os antifas de terroristas, como os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, mas o rótulo não cola, porque não há semelhança entre o terrorismo e a atividade deles.


Paradoxalmente, há algo em comum entre antifas e extrema direita: a disposição de calar os inimigos. Voltaire, para ambos, não está com nada.


"Uma proporção significativa de antifascistas é de mulheres, pessoas de cor, membros das comunidades LGBTQ e gente que tem alguma característica que os fascistas querem controlar ou eliminar", observou Stanislav Vysotksy, professor de Sociologia e Criminologia da Universidade de Wisconsin-Whitewater, que está escrevendo um livro sobre os antifas.


Uma parte dos antifas pode embarcar nas táticas black bloc de protesto - como depredar bancos, símbolos do capitalismo. Mas é mais comum antifas usarem os músculos para atingir diretamente seus inimigos de extrema direita nas ruas.


Grafite em muro de Atenas, Grécia, em 2013 | Foto: cc 3.0 Cogiati/Wikimedia Commons

#Fascismo #Política #Protestos #Racismo #Sexismo #UWWhitewater