• Sandra Carvalho

Quer saber se tem muita droga num lugar? Esgoto e celular entregam

Cientistas noruegueses decifraram assim o consumo de drogas em Oslo.


Oslo: estudo de drogas mais precisos | Foto: cc0 Pixabay

Qualquer droga que se cheire, injete ou engula acaba de alguma forma nos vasos sanitários e nos canais de esgoto. Os estudos epidemiológicos sobre consumo de drogas se aproveitam disso há algum tempo.


O objetivo é entender o uso de drogas, não identificar qualquer usuário individual.


Faltava algo, no entanto, para deixar esses estudos mais precisos: estimar ao certo quantas pessoas tinham usado as drogas que foram parar no esgoto.


Os cientistas começaram testando drogas farmacêuticas e drogas ilegais no esgoto e cruzando os resultados obtidos do esgoto com dados da população local.


Foi um progresso, mas com isso não se chegava a um o número confiável de pessoas que consumia drogas em determinado lugar em tempo real.


Ecstasy nos finais de semana


Pesquisadores do Instituto Norueguês de Pesquisa da Água e da companhia de telecomunicações Telenor chegaram a esse detalhamento recorrendo a sinais de celulares.


Seu estudo foi publicado no jornal Environmental Science & Technology no dia 20 e divulgado pela Sociedade Química Americana no mesmo dia.


Eles coletaram anonimamente dados de celulares de uma área de esgotos de Oslo, a capital da Noruega, durante um certo período.


Viram que o número de pessoas variava muito, porque o período do estudo incluiu meses de férias, junho e julho. Mais: mesmo dentro de um período de 24 horas, o número flutuava acentuadamente, mais de 40%.


Levando em consideração as flutuações, os pesquisadores constataram uma tendência de consumo de drogas estável, com picos do uso de ecstasy nos finais de semana.


Dados assim, mais precisos, podem se contrapor a fantasias sobre uso de drogas e ajudar a formulação de políticas mais realistas sobre o assunto.


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