• Sandra Carvalho

Quer ver como realmente são asteroides? Agora é possível

Dá para enxergar com nitidez Urânia, Hígia, Cleópatra, Calíope, Ceres, Europa...


Infográfico com imagens de asteroides
As imagens dos asteroides, com mais detalhes | Infográfico: ESO

Os astrônomos do Observatório Europeu do Sul (#ESO) conseguiram imagens nítidas de 42 dos maiores asteroides do nosso sistema solar, quase todos com mais de 100 km e alguns com densidade maior que a do diamante .


É um material farto para alimentar pesadelos de quem teme que essas rochas gigantescas colidam com a Terra e causem uma tragédia de grandes proporções.


Vinte dos 42 asteroides têm mais de 200 km. Os maiores observados foram Ceres, que chega a aproximadamente 940 km, e Vesta, de 520 km. Os menores nem são tão pequenos: Urânia e Ausonia, de 90 km.


As formas dos asteroides reveladas pelas novas imagens são bastante peculiares, na descrição dos astrônomos - há desde as esféricas, como Hígia e Ceres, até as mais originais, como é o caso de Cleópatra, que se parece com um osso de cachorro.


Os asteroides examinados pertencem ao cinturão que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter. As imagens mais nítidas foram obtidas graças a um instrumento chamado SPHERE, montado no telescópio gigante VLT, do ESO, que fica no deserto do Atacama, no Chile.


Infográfico de asteroides
Os 42 asteroides no sistema solar (sem escala) | Infográfico: ESO

Até agora, apenas três asteroides tinham sido fotografados com bastante detalhes: Ceres, Vesta e Lutetia. As imagens mais precisas vão permitir conhecer muito melhor os asteroides, suas formas tridimensionais e sua densidade.


O primeiro estudo com base nessas imagens, conduzido por Pierre Vernazza, do Laboratório de Astrofísica de Marselha (#LAM), na França, foi publicado hoje em Astronomy & Astrophysics.


Segundo os pesquisadores, os asteroides variam bastante em densidade. Os menos densos, como Lamberta e Sílvia, têm densidade de 1,3 grama por centímetro cúbico, mais ou menos como o carvão.


Os mais densos são Psique, que tem 3,9 g/cm3, e Calíope, com 4,4 g/cm3. São densidades superiores à do diamante (3,5 g/cm3).


"Uma tal variedade nas suas composições apenas pode ser compreendida se os corpos tiverem tido origem em regiões distintas do sistema solar”, notou Josef Hanuš, da Universidade Charles (#UniversidadeCharles) em Praga, um dos autores do estudo.


A suposição dos astrônomos é que os asteroides menos densos se originaram em regiões remotas do sistema solar, além da órbita de Netuno, e depois migraram para a posição atual.


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