• Sandra Carvalho

Radiação: Chernobyl 1 X Ilhas Marshall 10

Foi nas ilhas que os Estados Unidos testaram suas bombas nucleares, 60 anos atrás.


Uma das 67 explosões de bombas nas ilhas | Crédito da foto: World Future Council

Mais de 60 anos depois dos testes americanos de bombas nucleares nas ilhas Marshall, na Oceania, a contaminação radioativa do lugar é imbatível.

Certas regiões das Ilhas Marshall são mais radioativas hoje do que os locais dos desastres nucleares de Chernobyl, na Ucrânia, que aconteceu há 33 anos, e de Fukushima, no Japão, que ocorreu há apenas 8 anos.

As Ilhas Marshall ficam na Micronésia, entre o Havaí e as Filipinas. Os testes nucleares foram feitos lá entre 1946 e 1958, durante a Guerra Fria, quando as ilhas estavam sob gestão americana por delegação da ONU. Quem morava nas áreas de testes foi removido para locais mais distantes. Hoje cerca de 75 mil pessoas vivem nas Ilhas Marshall.

Cientistas da universidade Colúmbia, de Nova York, testaram o solo das ilhas em busca de plutônio-239 e 240, e encontraram níveis de 10 a mil vezes superiores aos da Zona de Exclusão de Chernobyl e da região de Fukushima.

Os testes nucleares começaram aproximadamente um ano depois das bombas jogadas nas cidades japonesas de Nagasaki e Hiroshima, que mataram aproximadamente 200 mil pessoas.

Ao todo, foram feitos 67 testes nucleares. O maior deles foi da bomba de hidrogêneo chamada de Castle Bravo, com poder de destruição 1.000 vezes maior que a bomba de urânio Little Boy, que destroçou Hiroshima.

Os cientistas encontraram níveis de radiação gama externa particularmente elevados no Atol de Bikini e na ilha Baen do Atol de Rongelap. Examinando as frutas locais, sobretudo de coqueiros e pândanos, eles verificaram um nível mais alto do que o aceitável de Césio-137 em 11 ilhas.

Os pesquisadores desaconselharam a volta da população para os atóis de Bikini e Rongelap, para evitar exposição a radiação. Seus estudos foram publicados em três diferentes artigos no jornal PNAS.

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