• Sandra Carvalho

Raposas-vermelhas começam ficar parecidas com pets

No Reino Unido, as raposas urbanas parecem estar se autodomesticando.


Raposa-vermelha: à vontade em muro de Tottenham, Londres | Foto: cc0 TJ Holowaychuk/Unsplash

Raposas-vermelhas fazem parte do cenário de grandes cidades britânicas há décadas. Para se aproximar dos lixos em busca de comida, foram perdendo aos poucos o medo dos humanos. Às vezes, até se comportam como pets, com atitudes típicas de cachorros.


Um estudo da Universidade de Glasgow acaba de mostrar que essa mudança de comportamento corresponde também a uma mudança física das raposas-vermelhas (Vulpes vulpes).


Os cientistas compararam 111 crânios de animais de Londres e de áreas rurais nas regiões próximas. Viram que os animais que vivem nas cidades, revirando lixos e outras sobras humanas, têm uma caixa craniana menor que a das raposas que vivem no campo.


Segundo Kevin Parsons, do Instituto de Biodiversidade da Universidade de Glasgow, raposas urbanas não precisam de tanta agilidade mental quanto as que vivem na natureza e têm que caçar suas presas para comer.


As raposas-vermelhas urbanas também têm focinhos num formato diferente, mais curtos e fortes, adaptados a abrir embalagens e lidar com ossos de carne jogados dos lixos pelas mudanças.


Essas mudanças combinam com o esperado num processo de domesticação. "As raposas-vermelhas certamente não estão domesticadas, mas estão mudando em maneiras que as aproximam do que se vê em muitos animais domésticos", resumiu um comunicado da Universidade de Glasgow.


No estágio em que estão, as raposas parecem estar se autodomesticando, numa transição entre ser um animal selvagem e um animal manso. O estudo foi publicado no jornal Proceedings of the Royal Society B.


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