• Sandra Carvalho

Raposas-vermelhas de Berlim não perdem medo das pessoas

Mesmo vivendo na cidade, elas se arriscam no trânsito para evitar gente.


Raposa vermelha ao lado de linha de trem em Berlim | Foto: Jon Andoni Juarez Garcia/IZW

As primeiras raposas vermelhas foram notadas em Berlim nos anos 50. Hoje se espalham por toda a cidade, e mesmo assim ainda se arriscam nas vias expressas e linhas ferroviárias para evitar pedestres.


Pesquisadores do Instituto Leibniz para Pesquisa em Zoológico e Vida Selvagem (IZW) e do Museu Nacional de História Natural de Luxemburgo (NMNH) identificaram duas populações distintas de raposas-vermelhas na região metropolitana de Berlim/Brandenburgo: uma urbana e outra rural.


A análise foi baseada no material genético de 370 raposas (Vulpes vulpes). Os dois tipos não têm muita troca entre si, separados por rios ou barreiras urbanas, e sobretudo por diferentes níveis de atividade humana.


As raposas urbanas são mais ousadas que as rurais e mais tolerantes das atividades humanas, atraídas pela abundância de comida e aparente ausência de predadores de Berlim.


Ainda assim, temem os humanos: em vez de usar ruas seguras e cheias de gente, preferem as vias expressas e linhas ferroviárias, onde correm mais risco de ser atropeladas por carros ou trens.


As raposas rurais, ao contrário das urbanas, fazem questão de ficar nas áreas mais agrícolas de Brandenburgo , e raramente se atrevem a entrar em bairros urbanos populosos.


Homens caçam raposas desde tempos imemoriais - e os cientistas acreditam que isso pode encorajar a inclinação das raposas-vermelhas a evitar pessoas.


O estudo foi publicado no jornal Molecular Ecology.


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