• Sandra Carvalho

Refugiados: a vida no limite, de Roraima a Toronto

25,9 milhões vivem longe de seu país, fugindo de guerras e perseguições de todo tipo.


Venezuelana com bebê em Boa Vista, Roraima: acomodação precária no Brasil | Foto: ©️ UNHCR/Vincent Tremeau

O número de refugiados só cresce. Em 2018, ao bater em 25,9 milhões de pessoas, já era do tamanho da população inteira da Austrália.


Os dados são relatório anual da UNHCR, a agência da ONU para refugiados.


Há refugiados que fogem de problemas mais recentes, como os venezuelanos, que tentam sobreviver longe de uma economia destruída pelo chavismo. A diáspora venezuelana já abarcou 4 milhões de pessoas.


E há os refugiados vítimas de problemas bem mais antigos, como os palestinos, que ainda não têm um estado independente. Só contando os que estão sob os cuidados da ONU, são 5,5 milhões.


Nem todas as pessoas que são obrigadas a deixar suas casas para escapar de situações de violência e perigo se tornam formalmente refugiadas - só quando deixam seu país de origem.


Há 41,3 milhões de pessoas no mundo deslocadas contra sua vontade que migraram dentro de seu próprio país - como fizeram, por exemplo, mais de 1,5 milhão de pessoas na Etiópia em 2018, vítimas de conflitos étnicos.


Os refugiados também se diferenciam das pessoas que buscam asilo político, cerca de 3,5 milhões em termos globais.


Veja mais: Os países que mais recebem refugiados

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Segundo a UNHCR, mais de dois terços (67%) dos refugiados são de apenas 5 países, na maioria envolvidos em guerras civis : Síria (6,7 milhões), Afeganistão (2,7), Sudão do Sul (2,3), Mianmar (1,1) e Somália (0,9). Os palestinos não estão incluídos nessa conta.


Poucos refugiados conseguem seguir para outros países para começar uma nova vida em situação ideal. Em 2018, apenas 7% fizeram isso, mudando para países como Canadá (28 mil), Estados Unidos (23 mil) e Austrália (quase 13 mil).


A volta ao país de origem tampouco é fácil. No ano passado, só 3% puderam regressar a suas casas.


A maioria fica estacionada numa situação provisória, extremamente precária, principalmente na Turquia (3,7 milhões), Paquistão (1,4 milhão) e Uganda (1,2 milhão).

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