• Sandra Carvalho

Refugiados: o que os países ricos não querem ver

Oito dos 10 países que mais recebem refugiados são pobres ou remediados.


Sírias em Istambul: a Turquia é o país número 1 em refugiados | Foto: cc0 Rostyslav Savchyn/Unsplash

Hoje 1% da humanidade está longe de casa para fugir de guerras, conflitos étnicos, perseguição política, colapso econômico ou simplesmente porque é apátrida - não tem um estado para chamar de seu.


São 79,5 milhões de pessoas, nas estimativas da agência da ONU para refugiados, a UNHCR. A maioria delas (45,7 milhões) tenta se reacomodar dentro de seu próprio país. Mas milhões são forçados a buscar a sobrevivência no exterior.


Hoje a UNHCR calcula haver no mundo 26 milhões de refugiados legais (entre os quais 5,6 milhões de palestinos) e 4,2 milhões de pessoas pedindo asilo no exterior - para não falar nos 3,6 milhões de venezuelanos que tentam a vida fora de seu país.


Todos os dados são do relatório Global Trends: Forced Displacement in 2019.


Ninguém lança mais refugiados no mundo que a Síria, mergulhada numa guerra civil mortal há quase 10 anos. A República Bolivariana da Venezuela contribui cada vez mais com essa lista, com sua economia destruída e autoritarismo crescente.


Confira os números da UNHCR, que não incluem os palestinos (a razão alegada é burocrática: eles estão sob os cuidados de outra agência da ONU, a UNRWA, uma agência especializada no atendimento aos palestinos no Oriente Médio).



No exterior, os refugiados se ajeitam como podem. Uma coisa é certa: eles não podem contar com muita ajuda dos países mais ricos. Oito dos 10 países que mais recebem refugiados legais, aspirantes a asilo político e venezuelanos deslocados são pobres e remediados.


A Turquia recebe mais refugiados do que ninguém - eles chegam 3,9 milhões no país, mais que o dobro do número da rica Alemanha, o país europeu que mais abriu suas fronteiras aos refugiados.


A miserável Uganda, com sua renda per capita de 620 dólares por ano, tem mais refugiados que os Estados Unidos, o país mais rico do mundo. Confira no gráfico. De novo, os palestinos não estão incluídos.



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