• Sandra Carvalho

Sabe como contar 64 mil tartarugas de uma vez?

Usando um drone, dizem pesquisadores da Grande Barreira de Corais da Austrália.


Vista de drone das tartarugas na ilha Raine | Foto: Fundação Grande Barreira de Corais e Governo de Queensland

A ilha Raine, o maior berçário de tartarugas-verdes do mundo, tinha um problema para resolver no ano passado: como contar as tartarugas que vinham depositar ovos em suas praias.


A tartaruga-verde (Chelonia mydas) está na Lista Vermelha da IUCN como ameaçada.


Considerada um paraíso marítimo, a ilha Raine fica na parte norte remota da Grande Barreira de Corais, a 620 km de Cairns, em Queensland. É um parque nacional australiano, fechado ao público e aberto apenas para pesquisas científicas.


Mesmo isolada, a ilha vem passando por mudanças na paisagem nos últimos anos. As mudanças abriram espaço para inundações pelas ondas do mar.


Ovos de tartarugas não resistem debaixo d'água, e muitos eram destruídos pelas inundações. Tartarugas também sucumbiam, ficando aprisionadas nos penhascos de pedras ou viradas de barriga para cima.


Um curto documentário de 2014, narrado por David Attenborough, mostra o sufoco das tartarugas na ilha, derrotadas pelas inundações de maré alta e a devastação dos ovos.


Para restaurar o ecossistema da ilha Raine, o governo australiano criou um projeto de recuperação. O objetivo era proteger mais as tartarugas e também outros animais. Custo: 7,9 milhões de dólares australianos, cerca de 28,7 milhões de reais, em cinco anos.


No caso das tartarugas, o projeto incluiu a restauração do habitat dos seus ninhos e redes de proteção para evitar que os animais entrem em lugares arriscados e assim diminuir sua mortalidade.


Tartarugas e seus ninhos na ilha Raine | Foto: Christian Miller/Governo de Queensland

Para checar se as medidas estavam realmente protegendo as tartarugas, era preciso contá-las. Como?


Tradicionalmente, as tartarugas eram registradas em pequenos barcos, na base do olhar, o que não parecia um método muito acurado. Algumas eram pintadas com tinta branca atóxica como referência.


Foi quando pesquisadores ligados à ilha pensaram em usar um drone, para uma uma visão aérea dos animais, e uma câmera de vídeo Go-Pro debaixo d'água.


Comparando os três métodos, os pesquisadores optaram pelo drone. A contagem feita por ele apontou 64 mil tartarugas-verdes em torno da ilha esperando para chegar às praia e depositar seus ovos.


O estudo foi publicado no jornal PLOS ONE.


"Tentar contar acuradamente milhares de tartarugas, algumas pintadas e outras não, de um pequeno barco, em tempo ruim, era difícil", comentou Andrew Dunstan, do Departamento de Meio Ambiente e Ciência de Queensland, principal autor do estudo.


"Usar um drone é mais fácil, mais seguro, muito mais preciso e os dados podem ser armazenados imediatamente e de forma permanente", ele argumentou.


Você pode ver a checagem das tartarugas pelos três métodos nesse vídeo.



Usando os drones, os pesquisadores ajustaram os dados históricos. Segundo o estudo, as contagens na base do olho humano haviam subestimado o número de tartarugas no passado por um fator de 1,73.


"O que exigia vários pesquisadores por muito tempo agora por ser feito por um operador de drone em menos de uma hora", notou Richard Fitzpatrick, da fundação Biopixel Oceans, outro autor do estudo.


A câmera de vídeo submersa não foi mal na comparação, mas não mostrou tantas vantagens na contagem dos animais como os drones.


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