• Sandra Carvalho

Salário mínimo, sempre motivo de insatisfação

O salário mínimo dividiu opiniões desde que surgiu, na Nova Zelândia e na Austrália.


Notas de 100 e 50 reais: dinheiro é curto com salário mínimo a 1.039 reais | Foto: cc0 Ikzmiranda/Pixabay

O salário mínimo é uma invenção do final do século 19. Lá se vão 125 anos, e até hoje os economistas discutem se ele é uma boa ou uma má ideia.


Um grupo acha que o salário mínimo diminui a pobreza, melhora a vida das pessoas e reduz a desigualdade.


Outro grupo pensa que a economia prosperaria mais se os salários variassem de acordo com a oferta e a demanda, como os preços dos sapatos ou das mensalidades da Netflix.


No Brasil, essa polêmica já ficou para trás. O salário mínimo virou uma instituição nacional intocável, como o futebol ou as escolas de samba.


Entrou na Constituição, que torna obrigatório seu reajuste pelo INPC, o índice nacional de preços ao consumidor, calculado pelo IBGE


O que se discute atualmente no país é se o salário mínimo deve ser reajustado acima da inflação, como aconteceu nos governos do PSDB e PT, ou se deve apenas repor a inflação, como defende o ministro da Economia, Paulo Guedes.


Seja como for, nem a inflação tem sido inteiramente reposta todos os anos a partir de 2017. Em 2017% houve perda real de 0,10% e em 2018, de 0,25%.


Em 2020, o mínimo subiu de 998 reais para 1.039 reais, com nova perda real de poder de compra. O reajuste foi de 4,1%, abaixo do INPC acumulado em 2019, que chegou a 4,48%.


Durante muitos anos, a partir de 1994, o salário mínimo foi um redutor importante da desigualdade no Brasil. Seu poder de compra aumentou consideravelmente, segundo os cálculos do Dieese, a organização estatística dos sindicatos.


Foi um aumento real entre 70 % e 75%, de acordo com esses cálculos. Sem a valorização, o salário mínimo de 2019 seria de apenas 573 reais, em vez de 998 reais.


No Brasil, o mínimo estreou no Estado Novo, em 1938, em plena ditadura de Getúlio Vargas. Hoje, serve como referência para os salários, aposentadorias e pensões de 49 milhões de pessoas.


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