• Sandra Carvalho

Segway, ícone caído (☆2001 - ✝︎2020)

A morte oficial do diciclo está marcada para dia 15 deste mês, em New Hampshire.


Segway: usado para passeio em grupos | Foto: cc0 Republica/Pixabay

Dentro de uma semana, a produção do Segway PT se encerra definitivamente em Bedford, New Hampshire, nos Estados Unidos. Chega ao fim o primeiro ícone pop da micromobilidade e um dos diciclos mais azarados da história.


O Segway PT é um filhote de um inventor americano talentoso, Dean Kamen, que ficou rico por criar a bomba de insulina e outros aparelhos médicos, e agora se dedica a desenvolver órgãos humanos para transplante.


Ele criou em 2001 o Segway PT ( Personal Transporter) com a ambição de revolucionar o trânsito nas cidades, substituindo os carros e sua poluição em trajetos curtos. Seria um meio de transporte para as massas nas calçadas das cidades do mundo inteiro.


Kamen chegou a dizer para a revista Time que o Segway seria para o carro o que o carro foi para o cavalo e as carruagens. A ideia era vender 100 mil diciclos no primeiro ano. Steve Jobs, o gênio da Apple, disse que o Segway seria tão importante importante quanto o PC.


Bem, nada disso aconteceu. O Segway foi um fracasso em vendas: em todo o seu ciclo de quase 20 anos de vida, nunca passou de 140 mil unidades, segundo a Fast Company, que anunciou ao mundo a morte iminente do diciclo.


Custando cerca de 5 mil dólares no lançamento, o Segway encontrou usuários fieis apenas em departamentos de polícia, segurança de aeroportos e serviços para turistas.


Turistas com o Segway em Roma | Foto: cc0 Jan Pawel Bochen/Unsplash

Os tombos eram comuns entre os usuários novatos da Segway - naturais num veículo inovador, direcionado por movimentos do corpo, sem breque.


Mas aos poucos o Segway passou de futuro do transporte pessoal a motivo de gozação. Foi usado muitas vezes para ridiculizar o Vale do Silício e suas idiossincrasias.


Não ajudou em nada uma famosa queda do presidente americano, George W. Bush, que se desequilibrou e caiu de um Segway PT diante de uma câmera indiscreta. A imagem correu o globo.


Outras personalidades famosas também despencaram do Segway, como Ellen DeGenereres, que fez um programa hilariante sobre o veículo, ou foram atropelados por um, com o atleta Usain Bolt.


Mal das pernas, a empresa mudou de mãos pela primeira vez em 2009, comprada por um investidor britânico, James Heselden. Foi o cúmulo do azar: um ano depois, Heselden caiu num penhasco perto de sua casa enquanto dirigia seu Segway.


Em 2013, a Segway foi comprada pela segunda vez, por um grupo investidor, Summit Strategic Investments, mas não também não deu sorte.


Na terceira aquisição, em 2015, foi parar nas mãos da companhia chinesa Ninebot, de Pequim, na época ainda uma novata no mercado mas hoje uma das maiores fabricantes do mundo de patinetes elétricos e outros veículos assemelhados de micromobilidade.


Até a compra, a Segway acusava na Justiça a Ninebot de ter copiado seu diciclo. A Ninebot não esconde que não se entusiasmou pela tecnologia do Segway. Faz scooters de vários tipos mais baratos e mais vendidos.


Segundo a empresa, o Segway só responde por 1,5% de seu faturamento. "Foi uma grande invenção 20 anos atrás", comentou Tony Ho, um dos vice-presidentes da Ninebot, para a CNN. "Hoje parece um pouco superado."


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