• Sandra Carvalho

Starlink: a internet por satélite inicia seu choque de realidade

O beta da Space X, chamado "Melhor que Nada", já aceita inscrições (pagas).


Lançamento de um foguete Falcon 9 com satélites Starlink no Cabo Canaveral, na Flórida | Foto: SpaceX/Flickr

O projeto Starlink, da SpaceX, que promete levar internet rápida para o mundo inteiro, já mandou para o espaço mais de 800 pequenos satélites para montar sua rede. Agora começa se movimentar também em terra.


A SpaceX começou o beta da Starlink no norte dos Estados Unidos e no Canadá esta semana, batizando a iniciativa de "Melhor que Nada".


A velocidade deve variar entre 50 Mb/s a 150Mb/s, com latência entre 20ms e 40ms, com pequenos períodos sem conectividade. Com o tempo e mais satélites, esses números devem melhorar - é a promessa.


Para atingir a maior parte do globo com acesso a internet rápido e estável, a rede precisa ter no espaço uma constelação de pelo menos 1.800 satélites na órbita baixa da Terra. Eles podem chegar até a 30.000 quando a constelação estiver completa.


Os satélites estão sendo lançados muito rapidamente. Em janeiro, não passavam de 240 - se multilplicaram mais de 3 vezes de lá para cá.


Para entrar no beta "Melhor que Nada" é preciso desembolsar de cara 598 dólares, perto de 3.500 reais. São 499 dólares pelo equipamento (um terminal, um tripé de montagem e um roteador Wi-Fi) e 99 dólares de mensalidade, quase 600 reais por mês.


O terminal foi descrito por Elon Musk, o fundador e presidente da SpaceX e da Tesla, como um "OVNI num bastão", de acordo com o site The Verge.


O preço do acesso Starlink é alto demais no Brasil, devido ao real muito desvalorizado no momento, e também às peculiaridades do mercado local. Mas é competitivo em países de moeda forte.


De qualquer forma, o grande apelo da Starlink, pelo menos na fase inicial, será levar a internet para quem mora em áreas remotas com pouca ou nenhuma opção de acesso. Preço e velocidade, nessas condições, passam para segundo plano.


A Starlink já está sendo usada em projetos pilotos nos Estados Unidos - no Texas, num distrito escolar, e no estado de Washington, na reserva indígena Hoh e na Divisão de Gerenciamento de Emergências.


Segundo o Los Angeles Times, Musk espera faturar 30 bilhões de dólares por ano com o acesso à internet da Starlink. Seria 10 vezes mais do que com os lançamentos de foguete da SpaceX.


A ideia de Musk seria, aliás, usar o dinheiro gerado pela Starlink para financiar o desenvolvimento de novos foguetes e naves espaciais.


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#SpaceX #ElonMusk #Starlink