• Sandra Carvalho

Startup cria algoritmo para validar orgasmo, e vira piada

A Relida, de Chipre, fez um app mirando a indústria de brinquedos sexuais.


Imagem de divulgação do app da Relida | Reprodução do site da Relida Limited

Uma pequena startup de Limassol, no Chipre, acha que fez o primeiro app capaz de identificar e provar o organismo feminino. A pretensão tem sido ridicularizada por muita gente, a começar pelo Financial Times.


O algoritmo de "prova" do orgasmo foi revelado ao mundo pelo britânico Stu Nugent, ele próprio um sex geek profissional, que se define como um enfant terrible da indústria de brinquedinhos sexuais.


Nugent recebeu um e-mail de marketing da Relida oferecendo o app como ferramenta para a indústria do sexo fabricar melhores produtos. Melhores vibradores, por exemplo.


O "problema", segundo dizia a Relida, era que as mulheres "fingem orgasmo" 26% das vezes que fazem sexo, e entre 25% a 74% admitem que fingiram alguma vez na vida.


Perplexo, Nugent tornou pública a proposta no Twitter, e o mundo caiu sobre a cabeça dos cinco empreendedores da Relida (uma deles, uma mulher, a quem a startup atribui o desenvolvimento do algoritmo).


"A ideia de detectar um orgasmo contra a palavra da pessoa que tem ou não o orgasmo é perigosa."

A Relida se sente injustiçada - alega que seu e-mail nunca deveria ter sido divulgado, porque se tratava de uma comunicação privada. E continua defendendo o algoritmo e o app.


Sua tese é que o orgasmo pode ser identificado pelas batidas do coração, que seguiriam um padrão específico no clímax. A startup se escora em estudos dos anos 60 do século passado - as pesquisas de Masters e Johnson.


Em sua defesa, a Relida argumenta que Masters e Johnson, descrevendo orgasmos, citam os batimentos cardíacos junto com aumento da pressão e contração de músculos pélvicos.


E ficou apenas nos batimentos cardíacos, que hoje são facilmente medidos com todos os relógios e pulseiras fitness que existem por aí.


Entrevistado pela BBC, Nugent afirmou que o orgasmo não é necessariamente a melhor métrica para medir o prazer de um brinquedo sexual. E arrematou: "A ideia de detectar um orgasmo contra a palavra da pessoa que tem ou não o orgasmo é perigosa."


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