• Sandra Carvalho

Suíça livra o íbex de caçadores de troféus estrangeiros

Até agora, bastava pagar uma taxa alta para se divertir matando o animal.


Jovem íbex na Suíça: a espécie quase foi extinta no século 19 pela caça | Foto: cc0 Xavier von Erlach/Unsplash

O cantão suíço de Valais decidiu acabar com uma diversão dos caçadores ricos estrangeiros em suas montanhas: matar o íbex e levar para casa seus magníficos chifres. O íbex é um tipo de cabra selvagem que vive na Suíça há pelo menos 5.300 anos.


A proibição vale a partir de 2021 para os estrangeiros, mas não para os caçadores locais. O cantão de Valais tem cerca de 6 mil dos 17 mil íbexes da Suíça.


A espécie (Capra ibex) quase foi extinta no país no fim do século 19 justamente pela caça, mas se recuperou graças à introdução de animais importados da Itália.


Em Valais, as autoridades dizem que o íbex prospera - a população quase dobrou nos últimos 15 anos, passando de 3.500 para exatos 6.030, segundo a contagem do cantão.


A caça é controlada, e este ano foi autorizado o abate de 544 animais, fêmeas e machos de todas as idades. O alvo mais cobiçado é o macho adulto, com chifres que podem chegar até a 1,10 metro.


Íbexes adultos: chifres cobiçados | Foto: cc0 Felix Mittermeier/ Pixabay

O banimento dos estrangeiros se deu por pressão pública contra a caça de troféus. Valais era o único cantão suíço que liberava licenças para estrangeiros.


Segundo a AFP, os animais com chifres mais longos são oferecidos a caçadores ricos de fora do país por até 20 mil dólares.


Este ano foram concedidas 45 licenças para caçar íbexes machos de 11 anos para cima, os íbexes mais valorizados pelos caçadores de troféus.


A venda de licenças para caça de troféus e taxas adicionais cobradas pelo comprimento dos chifres dos animais rendem ao ano 719 mil dólares a Valais, conforme a agência de notícias suíça SWI. Há também a indústria de turismo local, de hotéis e restaurantes, que se beneficia dessas licenças.


Você pode ver como é a caça nesse vídeo da SWI:



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