• Sandra Carvalho

Sua privacidade vai para o ralo por 1.000 dólares, via celular

Com publicidade online barata, dados pessoais se tornam públicos.


Privacidade invadida : anúncios online são a porta de entrada   |  Foto: cc0 Jan Antonin Kolar/Unsplash

Pergunta número 1 feita por cientistas da computação da Universidade de Washington (UW): Alguém pode usar publicidade no celular para descobrir onde você costuma tomar café?


Pergunta número 2: Um ladrão poderia criar uma empresa de fachada e mandar anúncios dela para seu celular para saber quando você sai de casa?


Pergunta número 3: Seu chefe, sempre desconfiado, pode ver se você usa apps de compra durante o horário de trabalho?


Sim, sim, sim. Por cerca de 1.000 dólares, qualquer pessoa com más intenções pode comprar publicidade online e transformar você em alvo com suas ferramentas de targeting.


Com a publicidade online pode-se saber a localização de qualquer pessoa e descobrir que apps elas estão usando no momento, pelo menos em teoria.


Essa é a conclusão de um paper de Paul Vines, Franziska Roesner e Tadayoshi Kohno, os três da Escola de Ciência e Engenharia de Computação Paul Allen, da Universidade de Washington, em Seattle.


O paper será apresentado no dia 30 no workshop Privacidade na Sociedade Eletrônica na Associação para Máquinas de Computação (ACM, na sigla em inglês).


Localização em 10 minutos


"Qualquer um, de um espião estrangeiro a um marido ou mulher ciumenta pode facilmente se registrar numa empresa grande de publicidade e com um orçamento bem modesto usar esses ecossistemas para rastrear o comportamento de um indivíduo", afirmou Paul Vines, o principal autor do estudo, ao serviço de notícias da universidade.


"Estamos compartilhando nossas descobertas para que as redes de publicidade possam tentar detectar e mitigar esses tipos de ataques", observou Franzi Roesner, codiretora do Laboratório de Pesquisas sobre Privacidade da universidade.


Segundo a pesquisa, em 10 minutos é possível detectar a presença de uma pessoa em determinado local - seja um motel, um hospital ou escritório de uma empresa.


Os três cientistas também conseguiram rastrear a movimentação de pessoas na cidade na hora do rush simplesmente usando anúncios baseados em localização do celular.


De acordo com as experiências feitas, foi possível ver que apps as pessoas visadas pela publicidade online estavam usando, abrindo a porta para conhecer seus interesses, religião, relacionamentos amorosos, condições de saúde, posições políticas...


Identidade móvel


O processo todo funciona assim, de acordo com a descrição dos pesquisadores:


A primeira coisa quando se faz a vigilância de alguém é conhecer sua identidade de publicidade móvel, MAID, na sigla em inglês.


Esse identificador, que ajuda o marketing a customizar anúncios de acordo com os interesses das pessoas, é enviado para o anunciante e algumas outras pessoas quando alguém clica num anúncio móvel.


O MAID também pode ser conhecido quando a pessoa visada usa uma rede wireless insegura ou quando se obtém acesso temporário a seu roteador.


Não é preciso que o alvo clique num anúncio - basta ver onde os anúncios são servidos para saber onde a pessoa está. "Para ser bem honesto, eu fiquei chocado de ver como isso é eficaz", comentou o professor Tadayoshi Kohno.


Entre as precauções que os usuários de celular podem tomar para evitar esses ataques, os pesquisadores sugeriram resetar frequentemente o MAID dos celulares e desabilitar o rastreamento de localização dos apps.


Para a indústria de publicidade, eles sugeriram rejeitar a compra de anúncios voltados para um número muito restrito de aparelhos ou indivíduos.


#Celulares #Privacidade #Publicidade #UW