• Sandra Carvalho

Super Mario dá uma mão para o cérebro de pessoas mais velhas

Jogar videogames 3D em bases regulares pode melhorar as funções cognitivas e a memória.


Super Mario: estímulando cérebros | Foto: cc0 Pixabay

Super Mario, quem diria, pode ajudar a manter em forma o cérebro de pessoas mais velhas e talvez até evitar a doença de Alzheimer.


Cientistas canadenses da Universidade de Montreal (UdeM) descobriram que jogar videogames 3D em bases regulares pode melhorar as funções cognitivas e aumentar a matéria cinza do hipocampo, no cérebro.


O estudo foi publicado ontem no jornal PLOS ONE.


O hipocampo é a área responsável pela memória espacial e pela memória episódica, ambas essenciais para a saúde cognitiva.


Os professores de psicologia Gregory West, Sylvie Belleville e Isabelle Perez partiram de dois estudos diferentes feitos com jovens adultos na faixa de 20 anos em 2014 e 2017.


Em ambos, os jovens jogaram videogames 3D e puzzles em plataformas como Super Mario 64. Nos dois estudos, houve crescimento da matéria cinzenta do hipocampo.


A matéria cinza funciona como um marcador de desordens neurológicas que podem acontecer ao longo do tempo, desde a doença de Alzheimer a problemas cognitivos bem menores.


West, Belleville e Perez queriam saber se o efeito positivo dos games nos jovens se repetiria numa população mais velha. Para isso, fizeram experiências com 33 pessoas entre 55 e 75 anos, divididas em três grupos.


O primeiro grupo jogou Super Mario 64 durante 30 minutos por dia durante cinco dias da semana.


O segundo teve lições de piano pela primeira vez na vida, com a mesma frequência dos jogos do primeiro grupo.


O terceiro grupo não fez nada. Isso se prolongou por seis meses.


Mais matéria cinza no hipocampo e no cerebelo do grupo que jogou videogame  | Imagem: Greg West et al.

Depois desse prazo, os 33 participantes fizeram testes de performance e tiveram os cérebros examinados com imagens de ressonância magnética (MRI, na sigla em inglês), para checar se a matéria cinza havia aumentado, numa comparação com as imagens feitas antes do início da experiência.


Apenas os participantes do grupo de videogame tiveram aumento no volume de matéria cinza no hipocampo e no cerebelo. A memória de curto prazo dessas pessoas também melhorou.


Entre os participantes que tomaram lições de piano, a matéria cinza aumentou no córtex pré-frontal dorsolateral e no cerebelo, mas não no hipocampo.


O grupo que não fez nada teve alguma atrofia no cérebro, reforçando a tese de que cérebros que não aprendem coisas novas atrofiam à medida que as pessoas envelhecem.


"Videogames 3D engajam o hipocampo a criar um mapa cognitivo, ou uma representação mental, do ambiente virtual que o cérebro está explorando, observou West.


"Vários estudos sugerem que o estímulo do hipocampo aumenta tanto a atividade funcional quanto a matéria cinza nessa região", complementou.


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