• Sandra Carvalho

Super-reconhecedores de rostos: extraordinários, mas não perfeitos

A capacidade de reconhecer as pessoas tem limite mesmo entre os mais dotados.


Identificação facial: há talentos extraordinários | Foto: cc0 Erik MacLean/Unsplash

Os super-reconhecedores de rostos são raros - algo como 1% da população mundial, segundo calcula a Universidade de Greenwich. Sua habilidade extraordinária em identificar faces vai muito além da aptidão das pessoas comuns.


Com esse talento, eles têm sido recrutados para controle de pessoas nas fronteiras e para trabalhar na polícia.


A Polícia de Londres, por exemplo, tem uma unidade de super-reconhecedores de rostos em Lambeth, no sul da cidade, e outros super-reconhecedores espalhados pela região metropolitana. Eles são especialmente eficientes em identificar suspeitos com base em fotos e vídeos e sua memória visual notável.


Até agora, a maioria dos testes de reconhecimento facial tem sido feita com pessoas brancas e super-reconhecedores brancos. Quando os testes envolvem a identificação de pessoas de outros grupos étnicos, a performance já não é tão espetacular.


Três pesquisadores das universidades britânicas de Greenwich e Strathclyde e da Universidade de Qatar (QU) mergulharam no assunto no ano passado e compararam o reconhecimento de rostos brancos com o de rostos egípcios feito por super-reconhecedores brancos.


Eles constataram que o nível de precisão caiu no reconhecimento dos rostos egípcios, na comparação com a identificação de rostos brancos, embora tenha se mantido acima do desempenho de pessoas comuns.


Outro estudo do ano passado, da Universidade de Bournemouth, mostrou que os super-reconhecedores brancos de rostos, ao observar outras etnias, não conseguem o mesmo nível de precisão que as pessoas daquelas etnias.


O que isso significa, segundo os pesquisadores? Que compensa contratar super-reconhecedores de rostos para polícia e para controle de fronteiras, mas que no caso de análise de um grupo étnico específico eles precisarão de ajuda de observadores da etnia em questão.


Uma maior diversidade na contratação dos super-reconhecedores seria, obviamente, uma mão na roda, mas esse não é um ponto destacado pelos cientistas.


As pesquisas foram descritas em detalhes por eles em The Conversation. A Universidade de Greenwich mantém um teste online, com versão em português, para identificar quem é ou não um super-reconhecedor de rostos.


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