• Sandra Carvalho

Telegram, o app rebelde

O Telegram tem uma vocação natural para levantar polêmicas desde que nasceu.


Android, iPhone, Windows, Mac, Linux: app presente | Imagem: reprodução de vídeo do Telegram

O serviço de mensagens instantâneas Telegram não se distingue pelo tamanho. Com 200 milhões de usuários ativos mensais, é pelo menos 7 vezes menor que o WhatsApp e 6 vezes menor que o Messenger do Facebook.


Em todo o resto, o Telegram se distingue. É o mais político entre os apps e serviços de mensagem instantânea. Nasceu na Rússia, em agosto de 2013, no clima pesado do governo de Vladimir Putin, bolado pelos irmãos Pavel e Nikolai Durov, críticos do presidente.


A ideia dos irmãos era criar mensagens instantâneas que respeitassem a privacidade de seus usuários, a começar por eles próprios. Nikolai, um matemático, se tornou o cérebro da tecnologia do Telegram. Pavel, um linguista por formação, o ideólogo e mecenas.


Antes do Telegram, Pavel havia criado a maior rede social da Rússia, a VKontakte. Mas, quando entrou em conflito com Putin, por não entregar dados de ativistas ucranianos para o governo, perdeu o controle da VK para os aliados dele.


Vendeu sua parte na empresa e seguiu para o exílio, com 300 milhões de dólares no banco.

Parte desse dinheiro sustenta o Telegram, que é gratuito. O app não vende dados nem publicidade para pagar as contas - depende de doações.


A base do Telegram é quase móvel: já esteve em São Petersburgo, Londres, Berlim e Cingapura, e hoje está em Dubai. Se a legislação local atrapalha, eles mudam.


O Telegram tem dois tipos de mensagens. As mensagens instantâneas comuns ficam na nuvem para serem acessadas de qualquer dispositivo. Não têm criptografia ponta-a-ponta por default, o que provoca críticas na comunidade de segurança.


Para garantir ao máximo a privacidade, o Telegram oferece chats secretos, com criptografia ponta-a-ponta, mensagens capazes de se autodestruir e que podem ser deletadas. Um chat secreto só pode ser acessado no dispositivo que o criou e no que o aceitou.


Com esse tipo de recursos, o Telegram acaba servindo forças políticas do bem e do mal.


Sabe-se que foi muito usado pelos terroristas do Estado Islâmico, por exemplo. Mas, em contrapartida, foi um recurso essencial para organizar as manifestações pró-liberdade de Hong Kong, que tanto contrariaram a China.


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