Terra Indígena Yanomami, paraíso atacado pelo garimpo

A busca do ouro está contaminando seus habitantes, a terra, os rios, as plantas e os animais.


Escultura dramática feita com os próprios corpos dos indígenas no centro de uma maloca | cc Victor Moriyama/ISA

A Terra Indígena Yanomami é a maior território indígena do Brasil - se estende por mais de 9 milhões de hectares da Amazônia, uma área do tamanho de Portugal.


Ali vivem os povos Yanomami e Yekwana em uma situação nada idílica. As pessoas, a terra, os rios e os animais estão sendo contaminados pelo mercúrio do garimpo ilegal do ouro.


Num fórum das lideranças yanomami e yekwana na comunidade Watoriki neste mês de novembro, eles denunciaram a presença de 20 mil garimpeiros na região. A Terra Indígena Yanomami se espalha pelos estados do Amazonas e Roraima.


Numa carta aberta às autoridades, eles lembraram que testes feitos pela Fiocruz na comunidade do Rio Uraricoera revelaram que mais de 90% das pessoas estão com alto nível de contaminação de mercúrio.


Os efeitos da contaminação por mercúrio podem ir da fraqueza muscular e perda da coordenação motora até à morte. O metal prejudica rins, fígado e sistema nervoso central.


Os yanomami já sofreram bastante com o garimpo num passado relativamente recente. Nos anos 80, doenças levadas pelos garimpeiros dizimaram 20% de sua população.


Nos anos 90 a situação melhorou, com bastante fiscalização do governo. Mas nos últimos anos, o garimpo voltou. O Instituto SocioAmbiental (ISA) atribui a volta à alta do ouro, a diminuição da fiscalização e a desativação de bases da Funai.


No governo Bolsonaro, as ameaças se ampliaram, com as propostas ainda vagas de regularizar o garimpo em terras indígenas.


Protesto no fórum de Watoriki: dando as mãos | cc Victor Moriyama/ISA

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