• Sandra Carvalho

Tocar bateria durante anos deixa o cérebro mais eficiente

Os dois lados do cérebro de bateristas veteranos dão show em comunicação.


Baterista: áreas motoras do cérebro aprimoradas | Foto: cc0 Andrew Petrischev/Unsplash

Há 5 mil anos a humanidade se divide entre 90% de destros e 10% de canhotos. Tanto uns quanto outros são capazes de fazer tarefas motoras fáceis com as duas mãos. Mas só pouquíssimas pessoas são capazes de executar tarefas complexas com as duas mãos.


Entre as exceções, os bateristas. Não qualquer baterista - apenas aqueles que tocam o instrumento há muito tempo. Por quê?


Anos e anos de bateria mudam a estrutura e a função do cérebro dos músicos. Os dois hemisférios do cérebro passam a se comunicar com mais eficiência. As áreas motoras do cérebro também passam a se organizar melhor.


Enquanto as pessoas comuns têm enorme dificuldade para tocar ritmos diferentes com as duas mãos ao mesmo tempo, os bateristas fazem isso com maestria, inclusive movendo simultaneamente os pés em cadências distintas.


O cérebro dos bateristas veteranos foi estudado por pesquisadores da Universidade Ruhr em Bochum (RUB), na Alemanha, com uso de ressonância magnética funcional (fMRI).


Eles investigaram o cérebro de 20 bateristas profissionais com experiência de 17 anos em média com o instrumento, e compararam com o cérebro de 24 pessoas sem ligação com música.


O cérebro dos bateristas mostrou diferenças evidentes no corpo caloso, a estrutura cerebral que conecta os dois lados do cérebro e é responsável pelo planejamento motor.


Essa estrutura tinha menos fibras, mas fibras mais grossas, que permitiam que os dois hemisférios do cérebro se comunicassem mais rapidamente.


Além disso, o cérebro dos bateristas se revelou menos ativo no córtex motor que os das outras pessoas durante a execução de tarefas motoras, o que indicou sua maior eficiência.


O estudo da RUB foi publicado no jornal Brain and Behavior.


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