• Sandra Carvalho

Trabalho infantil no Congo combina com a Apple?

O país é o principal fornecedor mundial de cobalto, usado baterias de celular.


Criança no Congo
Abuso de crianças: detectado na cadeia de fornecimento global da Apple | Imagem: reprodução Sky News

A Sky News, a versão britânica da CNN, reavivou um problema complicado para a Apple: a suspeita de que em sua cadeia global de fornecimento há exploração do trabalho de crianças.


Uma reportagem da Sky News em minas artesanais de cobalto no Congo (#RDC) flagrou em vídeo o trabalho de crianças pequenas em condições insalubres e inseguras em troca de centavos.


Cobalto é usado em baterias de íon-lítio de celulares, sendo por isso uma matéria-prima absolutamente essencial para os iPhones. É muito utilizado também em carros elétricos.

O Congo é o principal fornecedor mundial de cobalto, responsável pelo abastecimento de pelo menos metade do mercado internacional.


Os intermediários entre as minas artesanais do Congo e as empresas que consomem o cobalto, segundo a Sky News, costumam ser traders, muitos deles chineses, que não supervisionam quem trabalha nas minas.


Problema no cobalto artesanal


Respondendo à Sky News, a Apple disse que suspende ou termina os contratos com fornecedores que não seguem seus padrões, e que só no ano passado cortou 22 fundições.


Outras empresas tiveram uma atitude mais próxima de lavar as mãos, dizendo que é muito difícil identificar de onde vem o cobalto que seus produtos usam.


Numa grande investigação feita no ano passado, o Washington Post ligou o problema ao maior comprador de cobalto artesanal no Congo, a empresa chinesa Zhejiang Huayou Cobalt Company.


Os produtos da Apple usam os minerais da Huayou. Numa declaração recente publicada pelo jornal, a Apple afirmou ter suspendido por ora o uso de cobalto artesanal.


"Estamos trabalhando com a Huayou num programa que verificará as minas artesanais individualmente, de acordo com nossos padrões, e essas minas reentrarão na nossa cadeia de suprimentos quando estivermos confiantes de que as proteções apropriadas foram adotadas."