• Sandra Carvalho

Uluru: quem viu viu, quem não viu...

Escaladas foram banidas, e já não dá para subir a pedra nem pelo Google Street View.


Uluru: o overturismo matou as visitas | Foto: cc0 Antoine Fabre/Unsplash

O Uluru, o fascinante monólito vermelho do deserto australiano, é um lugar sagrado do povo Anangu, considerado patrimônio da humanidade da Unesco. Nos últimos tempos, está ficando mais fora do alcance dos olhos da maioria dos mortais.


Há 11 meses, as visitas à pedra foram proibidas pelo departamento de parques australiano, a pedido dos Anangus. O Uluru estava atraindo turistas demais, que escalavam a pedra e deixavam seus rastros espalhados pelo lugar.


Os Anangus se queixavam que os turistas estavam destruindo a superfície do Uluru e poluindo com lixo um lugar espiritual, emporcalhando inclusive as fontes de água locais. Com esses argumentos, mais a insegurança natural das escaladas, conseguiram o fim das visitas.


Agora o Google Street View tirou do ar imagens de 360º que permitiam uma escalada virtual pelo lugar, também orientado pelo departamento dos parques, a pedido dos Anangus.


O tour virtual incomodava justamente por mostrar as escaladas que haviam sido proibidas. Ainda é possível ver as fotos normais do lugar no Google Street View.


O Uluru é um monólito de arenito monumental, de 8 km de circunferência, num parque remoto da região central da Austrália, o Uluru-Kata Tijuta.


Desde o fim dos anos 50 é um ímã para os turistas. Dezenas morreram caminhando pela pedra, segundo a BBC, porque as trilhas são íngremes, e alguns por desidratação, pois a temperatura pode chegar a 47º C no verão.


"Entendemos que o Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta é profundamente sagrado para o povo Anangu", disse um porta-voz do Google. "Assim que o Departamento de Parques da Austrália comunicou suas preocupações sobre essas contribuições dos usuários, removemos as imagens."


Nem sempre o povo Anangu teve tanta influência sobre os destinos da pedra, apesar de ela fazer parte de sua cultura há milhares de anos. O Uluru passou muito tempo, inclusive, sendo chamado de Ayers Rock, em homenagem a um primeiro-ministro australiano.


No fim dos anos 50, a pedra foi apropriada sem cerimônia pelo governo da Austrália, para uso em turismo comercial. Mas vieram as críticas, cada vez mais insistentes, e 34 anos atrás o Uluru voltou para as mãos dos Anangus.


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