• Sandra Carvalho

Um dia de trabalho por semana basta, dizem cientistas de Cambridge

Oito horas semanais são suficientes para ter saúde mental e satisfação com a vida.


Escritório: para saúde mental, um dia de trabalho é suficiente | Foto: cc Nicolas G/Wikimedia Commons

Trabalho não significa apenas dinheiro para acertar as contas no final do mês - significa também autoestima, senso de propósito e inclusão social. Mas quanto trabalho é necessário para fazer uma pessoa se sentir realmente bem?

Oito horas bastam do ponto de vista da saúde mental e satisfação com a vida - é isso que dizem cientistas das universidades inglesas de Cambridge e Salford. Estamos falando de trabalho pago, equivalente a um emprego de um dia por semana.

Os pesquisadores estudaram como as mudanças na quantidade de horas trabalhadas impactaram a saúde mental e a satisfação com a própria vida de 71 mil britânicos entre 2009 e 2018.

Sua conclusão: quando pessoas desempregadas ou dedicadas à criação de filhos em casa passam a ter um trabalho pago de oito horas por semana, ou até menos que isso, seu risco de problemas de saúde mental diminui 30%.

Trabalhar mais do que oito horas por semana não garante mais saúde mental. Olhando estritamente desse ângulo, trabalhar de 37 a 40 horas ou apenas 8 não faz diferença substantiva.

O cenário da pesquisa é o da automação do trabalho com robôs e da ascensão da inteligência artificial, que deve acabar com muitos empregos.

"Se não houver trabalho suficiente para todo mundo que quiser trabalhar full-time, teremos de repensar as regras atuais", diz Daiga Kamerade, uma das pesquisadoras, da Universidade de Salford.

"Devemos incluir, entre outras coisas, a redistribuição de horas trabalhadas, de forma que todo mundo tenha os benefícios de saúde mental de um trabalho, mesmo que isso signifique que todos trabalharemos semanas muito mais curtas", ela completa.

O estudo sugere que micro empregos podem garantir tantos benefícios psicológicos quanto os dos empregos full-time. Mas a qualidade do trabalho é essencial para que seja assim.

"Empregos em que as pessoas são desrespeitadas, submetidas a situações de insegurança ou a contratos que não asseguram um mínimo de horas, não garantem o mesmo bem-estar, nem agora e nem no futuro", observa o sociólogo Senhu Wang, de Cambridge, outro dos autores do estudo.

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