Um garoto sírio de 7 anos, uma doença de pele letal e um final feliz

Graças a células-tronco, ele foi salvo de uma doença genética que destroça a pele.


Pele feita de células-tronco | Foto:  Frank Jacobsen/Universidade Ruhr em Bochum ​​

Em junho de 2015, Hassan, um menino sírio de 7 anos de idade, refugiado na Alemanha, deu entrada na ala de emergência do Hospital Infantil Católico da cidade de Bochum para tratar de uma infecção.


Ele tinha uma doença genética, a epidermólise bolhosa, que torna a pele extremamente frágil, causando feridas, bolhas e cicatrizes por qualquer coisa.


É uma doença que atinge aproximadamente 500 mil pessoas no mundo, considerada incurável. Em suas manifestações mais graves, leva à morte.


Quando o garotinho sírio entrou no hospital, a doença tinha destruído aproximadamente 60% de sua epiderme, a camada superficial da pele.


A epidermólise bolhosa impede que a epiderme tenha uma boa adesão à derme, a segunda camada.


A pele fica tão sensível que crianças com a doença são chamadas de criancas-borboleta, numa referência às asas vulneráveis do inseto.


Os médicos alemães administraram morfina para que Hassan não sofresse muito e fizeram curativos em sua pele destroçada, mas tinham poucas esperanças de salvá-lo.


Houve uma tentativa de transplante da pele do pai para Hassan, mas não funcionou. A pele foi rejeitada.


"Nós estávamos absolutamente certos que não conseguiríamos fazer mais nada por ele", observou Tobias Rothoeft, pediatra do hospital. "Pensávamos que iria morrer." Hassan estava pesando apenas 17 quilos.


Nesse clima, os médicos alemães e a família do garoto decidiram tentar um tratamento experimental. O hospital, ligado à Universidade Ruhr em Bochum (RUB), facilitou essa opção.


Células modificadas em laboratório


Na Itália, Michele De Luca, um especialista em células-tronco, dirige o Centro de Medicina Regenerativa da Universidade de Modena e Reggio Emilia.


Ele topou ajudar num transplante massivo de células-tronco geneticamente modificadas em Hassan.


Isso nunca tinha sido feito numa extensão tão grande do corpo.


Células-tronco saudáveis da pele do garoto foram enviadas para Modena. Lá foram clonadas pela equipe de De Luca e geneticamente modificadas para ter o gene LAMB3 em perfeito estado.


É esse gene que produz a proteína laminina-332, essencial para a regeneração da pele.


A nova camada de pele, com os genes corrigidos, foi enviada de Modena para Bochum e transplantada em Hassan por cirurgiões plásticos do hospital universitário Bermannsheil da Universidade Ruhr.


Foram feitas três operações entre outubro de 2015 e janeiro de 2016. O transplante cobriu 80% do corpo, inclusive o rosto.


Em fevereiro do ano passado, Hassan deixou o hospital . Hoje leva uma vida normal. Sua pele é resistente e sem cicatrizes.


A experiência foi publicada ontem no jornal Nature.


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