• Sandra Carvalho

Um roteiro de perdas na Mata Atlântica, com o desflorestamento

Primeiro desaparecerem as aves maiores, depois as plantas de sementes grandes.


Tucano-de-bico-preto regurgita sementes de palmito na Mata Atlântica | Foto: Pedro Jordano

O desflorestamento e a fragmentação da Mata Atlântica seguem uma sequência perversa de perda de espécies de aves e de plantas.


Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) abordou a relação entre aves frigívoras e plantas frutíferas na mata e mostrou como essa interação é abalada pelo desflorestamento.


Em primeiro lugar somem as aves maiores, que desempenham um papel vital para dispersar as espécies de plantas com sementes grandes. A seguir, a médio prazo, desaparecem essas plantas.


Como subsistem apenas as aves pequenas, acabam sobrevivendo somente as plantas com sementes pequenas. Quanto menor a área de floresta, menor o número de espécies que restam.


Levando em consideração 16 estudos, os pesquisadores da Unesp compararam áreas maiores da Mata Atlântica com outras mais reduzidas.


No Parque Estadual Intervales, onde a floresta tem 42 mil hectares, encontraram 81 espécies de aves frugívoras e 185 plantas frutíferas, com 3,65 interações por espécie. Numa área muito pequena, de 6 hectares, em Piracibada, encontraram 28 espécies de aves frugívoras e somente 6 plantas frutíferas, com apenas 1,46 interação por espécie.


No estudo, os pesquisadores estimam que restem apenas 12% da Mata Atlântica, a maior parte fragmentada. "Chegamos a um limiar em que não podemos perder mais nada", observou Carine Emer, a primeira autora do estudo, à Agência Fapesp. "Cada fragmento florestal da Mata Atlântica corresponde a milhões de anos de história evolutiva única a ser preservada."


O estudo foi publicado no jornal biotropica.


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