• Sandra Carvalho

Um terço dos répteis pode ser comprado online

Espécies ameaçadas são vendidas normalmente, apesar do risco de extinção.


Camaleão-tigre: ameaçado e vendido | Foto: cc Hans Stieglitz/Wikimedia Commons

Cientistas chineses e tailandeses investigaram o comércio de répteis pela internet e constataram que 3.943 espécies estão sendo vendidas online, 36% do total. Boa parte é capturada na natureza. Animais ameaçados de extinção fazem parte do negócio.


Entre as espécies ameaçadas oferecidas, está o camaleão-tigre de Seychelles ( Archaius tigris).


Num estudo publicado no jornal Nature Communications, os pesquisadores indicam que exatos 36% das espécies de répteis podem ser encontrados à venda pela web. Perto de 80% não são protegidas por tratados internacionais.


Os cientistas analisaram o comércio online de 2000 a 2019 e viram que 90% das espécies de répteis já documentadas pela Ciência são capturadas nas florestas. Cerca de metade dos animais comercializados no total também vem delas.


Existe um tratado internacional para coibir o comércio de vida selvagem desde 1075, o CITES, uma convenção para barrar a venda de espécies ameaçadas. Mas esse tratado deixa muitos animais de fora, para centrar foco nos que correm mais risco: só 9% das 11 mil espécies de répteis conhecidas são protegidas.


Bolsas da moda e pets


A maior proporção de répteis ameaçados comercializados é da China, Madagascar, Vietnã e outros países do Sudeste Asiático.


Um dos motivos do comércio de répteis está na indústria da moda, que usa peles de lagartos e cobras para fazer sapatos, botas, bolsas, carteiras, malas... Se as peles de marta caíram em desuso por pressão dos defensores dos direitos dos animais, as peles de répteis não caíram.


Outro motivo que impulsiona as vendes online de répteis é o mercado de pets, que valoriza animais excêntricos. Em 2008, a Federação Britânica de Herpetologistas divulgou que os répteis tinham ultrapassado os cachorros como o pet preferido no Reino Unido.


Detalhe importante: cachorros são criados em cativeiro, ao contrário dos répteis, que são arrancados da natureza para venda.


O estudo foi feito por cientistas da Universidade de Tecnologia Suranaree, da Tailândia, e do Jardim Botânico Tropical Xishuangbanna (XTBG), da Academia de Ciências da China (CAS).


Exemplo de réptil que atrai no comércio | Foto: Alice Hughes/XTBG

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