• Sandra Carvalho

A estrela explode. E começa uma extinção em massa

A tese, surpreendente, é de cientistas da Universidade de Illinois.


Supernova colidindo com vento solar: o ponto vermelho é o sol e o pontilhado azul, a órbita da Terra | Ilustração: Jesse Miller/UICU

Os raios cósmicos mortais de supernovas próximas da Terra podem ser os vilões de uma extinção em massa em nosso planeta 359 milhões de anos atrás, entre os períodos Devoniano e Carbonífero.


É a suposição de cientistas da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (UIUC). O estudo foi publicado no jornal PNAS. Rochas da época contêm esporos de plantas queimados por luz ultraviolenta, uma indicação de um evento longo de destruição de ozônio.


Os pesquisadores consideraram que a erupção massiva de vulcões e o aquecimento global podem destruir a camada de ozônio, mas não encontraram evidências conclusivas disso.


"Sugerimos que a explosão de uma ou mais supernovas distantes 65 anos-luz da Terra poderia ser a responsável pela perda de ozônio", disse o professor de Astronomia e Física Brian Fields, da UIUC, o principal autor do estudo.


Segundo os cientistas, seria algo semelhante às ameaças atuais da estrela Betelgeuse, que está a 600 anos luz da Terra, mas bem longe da proximidade de 25 anos-luz, em que seus raios poderiam ser mortais.


"A vida na Terra não existe isoladamente. Somos cidadãos de um cosmos maior, e o cosmos intervém em nossas vidas - muitas vezes de forma imperceptível, mas às vezes ferozmente."

O estudo descartou a possibilidade de a perda de ozônio ter ocorrido por impacto de meteoritos, erupções solares e explosões de raios gama porque esses são eventos de curta duração.


Os cientistas levantaram a tese da extinção em massa causada pela explosão de uma ou mais supernovas porque nela tudo se encaixa. Uma explosão dessas banha a Terra com raios ultravioletas, raios X e raios gama, com grande potencial destruidor.


Como se não bastasse, depois os detritos da supernova irrompem no sistema solar expondo a Terra a uma longa radiação de raios cósmicos. O rombo na camada de ozônio e os efeitos arrasadores no planeta podem durar até 100 mil anos, segundo os cientistas da UIUC.


A tese ainda não foi comprovada. Poderá ser se forem encontrados plutônio-244 e samário-146 nas rochas e fósseis depositados na hora da extinção.


"Nenhum desses isótopos ocorre naturalmente na Terra hoje, e a única maneira de chegarem aqui é por meio de explosões cósmicas" observou o estudante Zhenghai Liu, um dos autores do estudo.


"A mensagem abrangente de nosso estudo é que a vida na Terra não existe isoladamente", notou Fields. "Somos cidadãos de um cosmos maior, e o cosmos intervém em nossas vidas - muitas vezes de forma imperceptível, mas às vezes ferozmente."


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