• Sandra Carvalho

Joia da natureza brasileira se torna vilã do desmatamento

A cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, é a que mais destrói a Mata Atlântica.


Restam apenas 12,4% da Mata Atlântica atualmente - mas ainda assim o desmatamento da floresta segue em frente, puxado pelo agronegócio, no campo, e pela indústria imobiliária, nas cidades.


A Mata Atlântica já abrangeu 1,3 milhão de quilômetros quadrados de florestas contínuas, como a Amazônia, uma área maior que o Peru ou a África do Sul inteira, mas isso foi antes de os portugueses chegarem ao Brasil.


Hoje a mata está muito fragmentada em 15% do território brasileiro, em 17 estados.


Fragmentada e sob constante ameaça: em sua área vivem 72% da população do país e se concentram 70% do PIB. O impacto da ação humana está sempre se impondo.


Entre 2019 e 2020, o desmatamento aumentou em 10 estados brasileiros, disparando mais de 400% em São Paulo e no Espírito Santo, segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE.


Olhando para cidades, Bonito, no Mato Grosso do Sul, uma referência do ecoturismo no país, desmatou mais que qualquer outra. Mais que um campo de futebol por dia, de acordo com informações do jornal O Globo. Foram-se embora 416 hectares de floresta entre 2019 e 2020.


No total, perderam-se 13.054 hectares de florestas da Mata Atlântica nesse período. O desflorestamento foi mais extenso em Minas Gerais, com 4.701 hectares de árvores abatidas.


Em compensação, oito estados se aproximaram do desmatamento zero de Mata Atlântica no ano passado, com destaque para o Piauí, onde o desflorestamento caiu 76%. Veja a evolução das perdas de 1985 para cá:


Gráfica de desmatamento da Mata Atlântica
Perdas contínuas, mas no passado foi pior | Gráfico: Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica 2019-2020