• Sandra Carvalho

Usina de Belo Monte triplica gases de efeito estufa

As emissões são bem maiores do que se pensava anteriormente.


Reservatório de Belo Monte
Reservatório de Belo Monte: árvores mortas | Foto: Marcelo Camargo/Agência Fapesp

Quão verde pode ser uma hidrelétrica na Amazônia? Para responder a essa pergunta, cientistas mediram os gases de efeito estufa da usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará, antes, durante e depois de sua construção. O resultado foi surpreendente.


As emissões dos gases de efeito estufa triplicaram na área do reservatório da hidrelética - foi a conclusão da pesquisa, que durou 10 anos. As primeiras medições foram feitas em 2011, e outras três se seguiram depois.


Belo Monte é a maior hidrelétrica da Amazônia. Emite entre 15 e 55 quilos de dióxido de carbono (CO2) por megawatt-hora gerado. Isso é muito menos que a poluição produzida pelas usinas termelétricas, mas está longe de ser insignificante.


A usina gera muito metano (CH4), um dos gases de efeito estufa mais importantes, porque acumula bastante material orgânico no fundo dos reservatórios. As algas também dão sua contribuição à geração de metano.


A pesquisa envolveu pesquisadores da USP, Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Linköping (LiU), da Suécia, e Universidade de Washington (UW), dos Estados Unidos.


O estudo foi publicado no jornal Science Advances, e resumido pela Agência Fapesp.


No texto de Science Advances, os cientistas desaconselharam a expansão de hidrelétricas na Amazônia daqui para frente, sugerindo alternativas de geração de energia que evitem o represamento de grandes rios e a criação de novas áreas inundadas na região.


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