• Sandra Carvalho

Vacina da Sinopharm tem 79% de eficácia. Serve?

A China aprovou hoje o uso emergencial da vacina para imunização em massa no país.


Vacina genérica contra Covid
Vacina contra o novo coronavírus: o produto mais cobiçado do mundo no momento | Foto: Wix

Depois de muito suspense, dados de eficácia de uma vacina da China contra Covid-19 foram divulgados oficialmente no país pela primeira vez. Infelizmente, não se trata da CoronaVac, da Sinovac, testada pelo Instituto Butantan e já comprada pelo Estado de São Paulo.


A vacina em questão é da farmacêutica estatal Sinopharm, fabricada pelo seu braço de tecnologia CNBG junto com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. A eficácia é de exatos 79,34%, combinados com 99,52% de soroconversão, de acordo com o instituto.


Isso quer dizer que 8 em cada 10 pessoas vacinadas com o imunizante da Sinopharm não terão Covid-19, e que praticamente todas desenvolverão anticorpos contra o SARS-CoV-2.


O uso emergencial da vacina na população em geral foi aprovado hoje pela Agência Nacional de Produtos Médicos da China. Desde julho o país imuniza trabalhadores considerados essenciais expostos a situações de alto risco de contrair Covid-19.


De acordo com os dados oficiais, a vacina se mostrou bastante segura na fase 3 dos ensaios clínicos. Entre as pessoas inoculadas, 0,1% tiveram febre e cerca de duas a cada milhão apresentaram reações adversas relativamente sérias.


Os dados foram divulgados sem detalhes e sem publicação em periódico científico.


A taxa de eficácia da vacina da Sinopharm é inferior em 7 pontos percentuais aos 86% da mesma vacina comunicados dia 9 de dezembro pelas autoridades sanitárias dos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde foram feitos testes com 31 mil pessoas. A discrepância não foi justificada.


A vacina da Sinopharm se baseia na tecnologia tradicional de vírus desativado, da mesma forma que outra opção que a própria empresa desenvolve com o CNBG numa parceira Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan. É também a mesma tecnologia utilizada pela Sinovac para a CoronaVac.


O país deve iniciar em breve sua primeira campanha de vacinação em massa, se preparando para as festas do Ano Novo Lunar. Imunização num esquema emergencial, de trabalhadores essenciais em funções de maior risco, vem sendo feita desde julho.


As vacinas da Sinopharm não estão previstas até o momento para o Brasil, mas poderiam ser uma opção, dada a escassez de vacinas no mercado internacional.


A taxa de eficácia da Sinopharm é inferior à das vacinas da Pfizer/BioNTech (95%) e Moderna (94,1%), com tecnologia de RNA mensageiro, mas a vacina chinesa aparentemente tem menos efeitos colaterais e é mais fácil de armazenar e transportar, sem exigir uma cadeia sofisticada de frio.


Veja mais: Placar da vacinação contra Covid-19


#Sinopharm #Sinovac