• Sandra Carvalho

Vale a pena salvar essa mosca terrível da extinção? É bem possível

A mosca tsé-tsé transmite a doença do sono, que mata se não for tratada.


Mosca tsé-tsé : vítimas na África subsaariana | Foto: Yale/Geoffrey M. Attardo

A mosca tsé-tsé tem efeitos devastadores e frequentemente mortais. Leva a doença do sono a homens e mulheres e dizima o gado em 36 países da África subsaariana, a região mais pobre do mundo.

É que a tsé-tsé transmite o parasita Trypanosoma brucei, que causa a doença tripanossomíase. Sem tratamento, a tripanossomíase mata. A doença do sono atinge suas vítimas no sistema nervoso central. Elas ficam ficam letárgicas, sofrem com dores, têm convulsões, entram em coma.

Como as populações rurais, que vivem distantes dos centros médicos, são as mais atingidas, a mosca deixa um rastro de morte por onde passa.

A tsé-tsé é uma velha conhecida - cientistas da universidade de Yale já tinham decifrado seu genoma em 2014. Mas isso não garantiu a criação de uma vacina. Combater a tripanossomíase, assim, passou a ser sinônimo de erradicar a mosca.

Com a tecnologia atual, isso é bem possível. Entre outras coisas, usam-se insetos machos tratados para esterilizar as fêmeas tsé-tsé. Vacas e porcos são impregnados de pesticidas para matá-las. Vários países africanos, como Gana, Senegal, Zimbábue, estão usando essas armas. Alguns deles inclusive já acabaram com a mosca em seus territórios.

Com isso, as 31 espécies conhecidas da tsé-tsé podem ser varridas do mapa. Cientistas da Universidade Estadual do Oregon (OSU) nos Estados Unidos, já se levantam contra a extinção.

Apesar de reconhecerem a necessidade de erradicação local da tsé-tsé, eles alertam para a possibilidade de a extinção causar um efeito adverso não previsto na cadeia alimentar.

Temem também que as técnicas de erradicação sacrifiquem outros organismos além das moscas-alvo. Mais: indagam se outras espécies ainda mais malignas para a humanidade não poderiam preencher o espaço deixado pelas moscas tsé-tsé.

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