• Sandra Carvalho

Xô, eucalipto! Aqui não é seu lugar

Como planta exótica, o eucalipto pode criar problemas ecológicos e sufocar espécies nativas.


Eucalipto
Floresta de eucalipto na Austrália | Foto: cc0 David Clode/Unsplash

Um time internacional de cientistas descobriu uma maneira de evitar que os eucaliptos invadam a terra alheia e criem problemas ecológicos onde não são bem-vindos. A ideia é proteger as espécies nativas de sua fúria invasora.


A maneira: usar em plantações de eucaliptos árvores geneticamente modificadas para não se reproduzirem. Os cientistas usaram a técnica de edição de genes CRISPR Cas9 para atacar o gene mestre da formação das flores da árvores, tornando-as estéreis.


Com essa intervenção, as flores nunca se desenvolvem a ponto de gerar óvulos, pólen ou sementes férteis. Detalhe: isso em nada prejudica o desenvolvimento das próprias árvores para produção de madeira.


O experimento foi feito com o Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla. Existem mais de 700 espécies da planta no mundo, a maioria originária da Austrália.


Onde é uma espécie exótica, o eucalipto pode ser uma competição ameaçadora para as espécies nativas, espalhando pólen e sementes e se reproduzindo sem controle, de forma invasora.


Como cresce rápido e se adapta a diversos climas, com exceção dos muito frios, o eucalipto é muito utilizado em grandes monoculturas de alto rendimento, usado para produção de celulose e papel, em serraria, laminação e energia (o carvão poluidor).


Segundo o estudo, há 5,7 milhões de hectares de eucalipto no Brasil, 4,5 milhões na China e 3,9 milhões na Índia. A pesquisa foi publicada no periódico Plant Biotechnologoy Journal.


O estudo foi liderado por Steve Strauss, da Universidade Estadual do Oregon (OSU). Ele afirmou que esse método de contenção dos eucaliptos não poderia ser utilizado no Brasil, já que existem no país leis que proíbem a modificação da reprodução das plantas com métodos de DNA recombinante.


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