Vamos ler mentes no futuro? Já estamos lendo agora

Cientistas decifram o cérebro de suas cobaias humanas ajudados por inteligência artificial.


Decodificando o cérebro: cobaias humanas | Foto: Erin Easterling/Universidade de Purdue

Cientistas da Universidade Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos, criaram uma nova tecnologia para decodificar o cérebro humano.


Eles já mostraram que a coisa funciona, praticamente lendo o cérebro de suas cobaias humanas.


Como? Usando inteligência artificial para interpretar imagens de ressonância magnética de pessoas que estavam assistindo a vídeos.


Na base da experiência está uma rede neural convolucional (CNN na sigla em inglês) - um tipo de algoritmo usado também por celulares para fazer o reconhecimento de faces e objetos.


Usando essa rede neural, cientistas são capazes de decifrar o que as pessoas estão vendo. O expediente já tinha sido usado para decodificar o processamento de imagens estáticas pelo cérebro.


Agora, pela primeira vez, se conseguiu ver como o cérebro processa vídeos de cenas naturais. No futuro, a ideia é decodificar ambientes visuais dinâmicos e complexos.


Cientistas estudando o processamento de cenas naturais | Foto: Erin Easterling/UniversidadeDePurdue

O estudo de Purdue, liderado pelo chinês Haiguang Wen, foi publicado no dia 20 no jornal Cerebral Cortex.


No estudo, os cientistas analisaram 11,5 horas de imagens de ressonância magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês) de 3 mulheres assistindo a 972 clips de vídeos. Nos vídeos, pessoas e animais em ação e cenas naturais.


"Escaneamos o cérebro a cada dois segundos, e o modelo reconstrói a experiência visual na medida em que ela ocorre", descreveu Wen ao serviço de notícias da Universidade de Purdue. A decodificação é quase em tempo real.


A pesquisa junta inteligência artificial e neurociência. "Nossa missão é fazer a inteligência artificial avançar usando conceitos inspirados no cérebro", definiu Zhongming Liu, professor das escolas de engenharia biomédica e de engenharia da computação de Purdue, outro autor do estudo. "Em compensação, queremos usar a inteligência artificial para entender o cérebro."


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