• Sandra Carvalho

Vamos salvar as arrepiantes plantas carnívoras?

Muitas espécies estão ameaçadas pela perda de habitat, advertem cientistas.


Dioneia: comum nos vasos de plantas, mas cada vez mais rara na natureza | Foto: cc Hornbeam Arts/Flickr

Ninguém precisa dar o sangue para salvar as plantas carnívoras, como Seymour Krelborn, da Pequena Loja dos Horrores. Mas elas estão precisando de socorro - 25 % delas correm risco de extinção atualmente.


A advertência é de um time internacional de cientistas liderado pelo ecologista Adam Cross, Universidade de Curtin, na Austrália. A equipe inclui um brasileiro, Paulo Gonella, da Universidade Federal de São João del-Rey (UFSJ).


Tem tudo a ver: a Austrália é o país que mais tem plantas carnívoras (30 no total) e o Brasil vem logo a seguir, com 28.


A planta carnívora é uma predadora por excelência: se alimenta de pequenos insetos, como moscas, mas eventualmente captura pássaros ou pequenos mamíferos. A planta que aparece na Pequena Loja dos Horrores é uma dioneia, uma das mais conhecidas.


Entre as 860 espécies descritas até hoje, 8% estão criticamente ameaçadas, principalmente as do gênero Philcoxia, endêmicas do Brasil. Só existem 7 espécies de Philcoxia, e elas se dividem entre criticamente ameaçadas (86%) e ameaçadas (14%).


Segundo os pesquisadores, os riscos corridos pelas plantas carnívoras se devem sobretudo à ação humana que destrói seu habitat. O perigo está na expansão das fronteiras agrícolas, atividades de aquicultura, mineração, produção de energia, abertura de estradas e linhas ferroviárias...


"Falando globalmente, as maiores ameaças são o resultado de práticas agrícolas e modificações dos sistemas naturais, e também das mudanças ambientais de escala continental causadas pela mudança de clima", observou Adam Dross.


Como plantas carnívoras são fascinantes, elas também sofrem com a coleta ilegal em seus habitats naturais para comercialização. Confira no gráfico a situação geral dessas espécies:



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