• Sandra Carvalho

Veganos iriam passar mal na Idade da Pedra

Nossos ancestrais eram superpredadores que comiam basicamente carne.


Carne
Carne: maior acidez no estômago dos homens pré-históricos para enfrentar bactérias | Foto: cc0 Steven Lim/Unsplash

Na Idade da Pedra, durante dois milhões de anos, os humanos foram superpredadores que se fartavam da carne de animais grandes - por exemplo, elefantes e mamutes. Só com a extinção da megafauna eles passaram a comer mais vegetais.


Pelo menos essa é a tese de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv (TAU), em Israel, e da Universidade do Minho, em Portugal.


Segundo eles, só no fim da Idade da Pedra, quando os grandes animais se extinguiram em várias partes do mundo e as fontes de comida animal diminuíram muito, os humanos passaram a aumentar o consumo de plantas.


A pesquisa afirma que os humanos da época eram hipercarnívoros especializados na caça de grandes animais.


"Caçar animais de grande porte não é um hobby vespertino", observou o arqueólogo Miki Ben-Dor, da TAU, um dos autores do estudo. “Exige muito conhecimento, e leões e hienas atingem essas habilidades após longos anos de aprendizado. Claramente, os restos de animais grandes encontrados em incontáveis ​​sítios arqueológicos são o resultado da alta experiência dos humanos como caçadores de animais grandes."


Um dos sinais de que os humanos eram basicamente carnívoros na Idade da Pedra, segundo a pesquisa, é a acidez de seus estômagos, maior que a acidez dos estômagos de onívoros. A acidez protege contra bactérias nocivas encontradas na carne.


Na época, os humanos comiam durante dias e até semanas a carne dos animais grandes abatidos, mesmo com a proliferação das bactérias, o que exigia um nível acentuado de acidez no estômago.


Além disso, a estrutura das células de gordura dos corpos dos humanos pré-históricos era diferente da estrutura dos onívoros, de acordo com a pesquisa.


Nos carnívoros, tinha-se um número maior de células de gorduras menores. Nos onívoros, existia um número comparativamente menor de grandes células de gordura.


Essas evidências não significam que os humanos da Idade da Pedra não comiam nada de vegetais, mas sim que as plantas passaram a ser importantes na dieta só mais tarde.


"Para muitas pessoas hoje, a dieta paleolítica é uma questão crítica, não apenas em relação ao passado, mas também em relação ao presente e ao futuro" notou o arqueólogo Ran Barkai, outro dos autores, também da TAU. "É difícil convencer um vegetariano devoto de que seus ancestrais não eram vegetarianos."


Segundo o estudo, o aumento gradual do consumo de vegetais começou cerca de 85 mil anos atrás na África e cerca de 40 mil anos atrás na Europa e na Ásia. Nesse período, houve mudanças genéticas e o aparecimento de ferramentas de pedra exclusivas para plantas.


O estudo foi publicado no American Journal of Physical Antropology.


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