• Sandra Carvalho

Veja como a luz azul das telas prejudica o sono

Ela suprime a produção de melatonina, encurta a duração do sono e piora sua qualidade.


 Luz azul: redução do sono e menos melatonina   |  cc0 Geralt/Pixabay

Cientistas da Universidade de Haifa, em Israel, demonstraram como a luz azul de ondas curtas emitida pelas telas de celulares, tablets e computadores prejudica a duração e a qualidade do sono.


Seu estudo, feito na Clínica do Sono Assuta, foi publicado no jornal Chronobiology International, e divulgado pela universidade.


Pesquisas anteriores já tinham apontado que olhar para essas telas antes de dormir prejudica o sono. Também já tinham indicado que a luz azul de ondas curtas (450 a 500 nanômetros) suprime a produção de melatonina, o hormônio do sono.


Esse novo estudo focou nas diferenças entre a exposição à luz azul e a luz vermelha das telas antes de dormir, e investigou o que mais perturba o sono: o comprimento das ondas de luz ou sua intensidade.


O sono de 19 pessoas de 20 a 29 anos de idade foi analisado com actigrafia, para determinar exatamente quando eles dormiam e acordavam.


Os participantes do teste foram também expostos a telas de computadores das 9 às 11 da noite, período em que a glândula pineal começa a produzir e expelir melatonina.


Nas telas, eles viram quatro tipos de luz: azul de alta intensidade, azul de baixa intensidade, vermelha de alta intensidade e vermelha de baixa intensidade. Em seguida, ao dormir, as suas ondas cerebrais foram medidas para determinar seus estágios de sono.


No geral, a exposição à luz azul reduziu o sono em 16 minutos e diminuiu de forma significativa a produção de melatonina, atrapalhando os mecanismos naturais do sono e o relógio biológico das pessoas.


A reação à luz vermelha foi bem diferente: praticamente não alterou nada.


Sono interrompido


Os cientistas também observaram que a luz azul impedia o corpo de acionar o mecanismo natural de redução de temperatura.

Normalmente, a temperatura vai baixando até atingir seu ponto mais baixo às 4 da manhã. Quando o corpo volta à temperatura normal, a pessoa acorda.


O achado mais significativo do estudo foram os danos causados à continuidade do sono. Expostas à luz vermelha, as pessoas acordaram em média 4,5 vezes durante a noite nos testes. Com a luz azul, foram 6,7 vezes.


"A exposição a telas durante o dia em geral e à noite, em particular, é uma parte integral do nosso mundo tecnologicamente avançado e só vai se tornar mais intensa no futuro", observou Abraham Haim, professor da Universidade de Haifa, num comunicado.


"Nosso estudo mostra que não são as telas em si que causam danos ao nosso relógio biológico, mas a luz azul de ondas curtas que elas emitem", complementou.


A solução, segundo ele: usar os filtros de luz azul, que impedem sua emissão e a substituem pela luz vermelha, reduzindo o prejuízo da supressão da melatonina.


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